Israel insiste em força multinacional entre o Líbano e a Síria

O ministro da Defesa de Israel, Amir Peretz, disse nesta quinta-feira ao chanceler belga, Karel de Gucht, que para seu país é de "máxima importância" o posicionamento de uma força multinacional na fronteira entre a Síria e o Líbano. Na quarta-feira o presidente sírio, Bashar Assad, considerou uma eventual presença de tropas internacionais na fronteira sírio-libanesa como um ato "hostil". Nesta quinta-feira o premiê libanês, Fuad Siniora, disse que "o Exército libanês é que vai tratar do Hezbollah e suas armas".Peretz destacou que o controle da passagem por meio de uma força multinacional da ONU impedirá que o Irã volte a dominar o sul do Líbano, através da guerrilha fundamentalista do Hezbollah, disseram fontes de seu Ministério.Além disso, o ministro israelense propôs, em sua reunião com De Gucht, criar um órgão econômico para reconstruir o sul do Líbano após o confronto entre Israel e o Hezbollah.A proposta, segundo as fontes israelenses citadas pela rádio pública, tem como objetivo evitar que o Irã assuma o papel, por meio do Hezbollah, aumentando sua influência no Líbano.Peretz disse também ao ministro belga que, para cumprir a resolução 1701 da ONU, que estabeleceu o cessar-fogo, o Hezbollah deve libertar incondicional os dois soldados israelenses que seus milicianos capturaram no dia 12 de julho.De Gucht respondeu que o Governo da Bélgica deve decidir em breve se vai participar da Força Interina da ONU no Líbano (Finul). Exército libanês deve cuidar do HezbollahO primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, afirmou que "o Exército libanês é que vai tratar do Hezbollah e de suas armas", numa entrevista publicada nesta quinta-feira pelo jornal italiano "La Repubblica"."Não cabe aos soldados internacionais fazer isto", disse Siniora, ao ser perguntado se o Exército libanês desarmaria a milícia.O primeiro-ministro libanês lembrou que o Hezbollah é um partido político representado no Governo e que aceitou o plano de sete pontos apresentado às Nações Unidas, que "estabelece claramente a autoridade do Executivo".O comando da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul), que agora está nas mãos da França, e pode passar para a Itália. Siniora ressaltou que a decisão sobre o assunto não é sua. Mas reconheceu que "gostaria de ver um compromisso maior dos franceses, que sempre será bem-vindo"."Os libaneses queriam uma presença forte da França (na Finul), oque teria estimulado outros países contribuintes a fazer o mesmo, oque teria estimulado os libaneses", disse o primeiro-ministro àrádio "RMC Info". A França possui atualmente um efetivo de 400 homens na Finul,cuja composição será debatida nesta sexta-feira pelos ministros deAssuntos Exteriores da União Européia. Siniora se mostrou confiante e que a França aumentará suapresença na Finul, após o envio de um contingente de urgência de 200militares, que se uniram aos 200 franceses já presentes na força.Sobre a evolução da crise, o primeiro-ministro libanês opinou que "Israel entendeu com a guerra que a violência e as armas não são o caminho para garantir sua segurança"."No Oriente Médio, o único caminho para a paz é o diálogo, devemos conversar. Mas quando os ministros de Israel fazem declarações belicosas, talvez só para acalmar uma opinião pública que se sente derrotada, não ajudam a construir o diálogo", acusou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.