Israel intensifica ataques e ONU retira observadores do sul do Líbano

Israel intensificou os ataques aéreos e de artilharia nesta sexta-feira, atingindo postos do Hezbollah, destruindo casas no sul do Líbano e deixando um saldo de pelo menos 12 mortos. Em meio à ofensiva israelense, a Força Interina da ONU no Líbano (Finul) decidiu retirar 50 observadores de seus postos ao longo da fronteira e transferi-los por para áreas mais seguras. Os observadores serão deslocados para bases na área de Marwahin e Markaba e para outras posições mais seguras no sul do Líbano. Os soldados da ONU fazem parte de uma unidade especial da força internacional que conta com 155 militares.A decisão vem à tona depois de um posto de observação da ONU foi destruído por um míssil israelense, matando quatro observadores. "Os observadores desarmados estão sendo retirados da região para sua própria segurança", disse Milos Struger, porta-voz da Unifil, a força de manutenção de paz da ONU na fronteira entre Israel e Líbano. Os soldados da ONU usam apenas armas leves.Novos confrontosAinda nesta sexta-feira, o Hezbollah anunciou que seus guerrilheiros realizaram um ataque surpresa por terra contra soldados na vila de Maroun al-Rasm, que havia sido tomada por Israel na semana passada. O Hezbollah anunciou ainda o lançamento de um novo tipo de míssil, chamando Khaibar-1, carregando 100 quilos de explosivo. O míssil atingiu a cidade israelense de Afula, mas não causou mortes, segundo a polícia. Esta foi a primeira vez que um míssil desse tipo atingiu IsraelGuerrilheiros também dispararam 96 mísseis menores contra várias cidades do norte de Israel, segundo o Exército. Um dos mísseis atingiu uma janela de um dos principais hospitais da fronteira, na cidade de Nahariya. Não foram registrados mortos. Do lado israelense os ataques aéreos continuam. Um deles atingiu um comboio de residentes que estavam sendo retirados de uma vila, e deixou um jornalista e seu motorista levemente feridos. A Força Aérea israelense afirmou que seus aviões atacaram cerca de 130 alvos em território libanês na madrugada desta sexta-feira, incluindo uma base do Hezbollah no vale do Bekaa Valley. Mísseis disparados por jatos israelenses também destruíram três prédios na aldeia de Kfar Jouz perto do mercado de Nabatiyeh. Um jordaniano morreu junto com um casal de libaneses, quando o abrigo onde estavam desabou por causa da explosão. Outras nove pessoas, incluindo três crianças ficaram feridas no ataque e o número de mortos pode aumentar.Até agora, pelo menos 443 pessoas morreram no Líbano em virtude dos conflitos, a maioria civis, segundo contagem do Ministério da Saúde. No lado israelense, 33 soldados morreram em combate e os ataques do Hezbollah no norte do país mataram 19 civis. O Exército de Israel afirma que matou 200 guerrilheiros do Hezbollah, contudo o grupo libanês registra apenas 35 mortos. DiplomaciaNo 17º dia da ofensiva israelense, os esforços diplomáticos para encerrar a crise continuam em diversos frontes, enquanto aliados dos Estados Unidos pressionam Washington à intensificar os esforços para um cessar-fogo.A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, anunciou planos para retornar ao Oriente Médio depois das visitas no Líbano e em Israel nesta semana. Segundo ela, a visita será feita no momento "adequado".De acordo com a mídia israelense, Rice deverá chegar à Israel na noite de sábado e irá se encontrar com o premier Ehud Olmert no domingo. O governo libanês não confirmou se a secretária irá visitar Beirute.O Conselho de Segurança da ONU deve decidir antes do final do mês o futuro dessa força, criada em 1978 e formada por 2 mil agentes para realizar suas tarefas de supervisão na "linha azul" que separa o Líbano e Israel.Segundo o presidente rotativo do Conselho de Segurança, oembaixador francês Jean Marc de la Sablière, esse órgão da ONU possivelmente aprovará a renovação por mais um mês do mandato dessa operação, à espera de decidir a mobilização de uma força multinacional, como foi definido na conferência realizada em Roma.Texto atualizado às 15h00

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