Maya Alleruzzo/Pool via REUTERS
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Israel intensifica investigação contra NSO, fabricante do spyware Pegasus

Enquanto o ministro da Defesa Benny Gantz estava em Paris, afirmando que o caso é encarado com seriedade pelo governo israelense, autoridades foram até os escritórios do NSO Group, nos arredores de Tel Aviv

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2021 | 18h00

Epicentro do escândalo de espionagem que implicou dezenas de países e figuras públicas - inclusive do primeiro escalão da política global -, Israel começa a fechar o cerco contra o NSO Group, fabricante do spyware Pegasus. Representantes oficiais do governo israelense estiveram em escritórios da empresa na quarta-feira, 28, de acordo com o Ministério da Defesa do país.

O anúncio foi feito pelo ministro Benny Gantz, em viagem oficial a Paris, durante encontro com Florence Parly, ministra da Defesa da França. Gantz não revelou detalhes da ação nos escritórios da fabricante do Pegasus, mas afirmou que Israel está levando a sério as alegações sobre o mau uso do programa de espionagem militar, criado pela companhia israelense.

Os primeiros relatos da mídia descreveram os movimentos nos escritórios da NSO como uma batida, mas a empresa disse em um comunicado que as autoridades haviam "visitado" em vez de invadido suas instalações. A NSO disse ter sido informada com antecedência que funcionários do Ministério da Defesa responsáveis por supervisionar as exportações comerciais de ciberexportações sensíveis estariam fazendo uma inspeção, registrou o jornal britânico The Guardian.

Quarta, um porta-voz do governo francês disse que Parly aproveitaria a visita de Gantz para perguntar o que seu governo sabe sobre as atividades da NSO, que surgiram como uma responsabilidade diplomática para Israel. A pedido de Parly, Gantz "comentou sobre a questão da NSO e disse a ela que Israel está levando as acusações a sério", disse um comunicado de seu gabinete.

"Israel concede licenças cibernéticas apenas a Estados-nação e apenas para serem utilizadas para as necessidades de lidar com o terrorismo e o crime", completa o comunicado.

O Pegasus, um spyware de uso militar licenciado pelo NSO Group a governos para rastrear terroristas e criminosos, foi usado em ao menos 10 países para espionar celulares pertencentes a jornalistas, ativistas de direitos humanos e executivos de todo o mundo, de acordo com um investigação realizada por um consórcio de imprensa formado por  jornais como o The Washington Post, The Guardian e Le Monde.

O esquema foi revelado na terceira semana de julho, e desde então novos fatos começaram a ser revelados. De acordo com revelações posteriores. A situação é ainda mais sensível com a França, uma vez que a lista de espionados incluiria alguns números de telefone do presidente, Emmanuel Macron, do ex-primeiro-ministro Edouard Philippe e de 14 membros do governo francês, como o chefe da diplomacia, Jean-Yves Le Drian, de acordo com meios de comunicação franceses como Le Monde e Radio France. Um serviço de inteligência marroquino teria usado o sistema.

"Se esses fatos forem confirmados, iremos atrás de todas as consequências, mas primeiro temos que provar que são verdadeiros", declarou o porta-voz do governo francês, Gabriel Attal, ao final do Conselho de Ministros, após especificar que as informações estão "sendo verificadas".

Apesar do software ser produzido por uma empresa privada e o uso ter sido feito por governos estrangeiros, o governo israelense passou a ser alvo de pressões internacionais para investigar e esclarecer os detalhes do caso. Segundo o The Guardian, o próprio Macron conversou com o primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett, na semana passada, para "lembrar a importância de investigações adequadas" sobre os fatos revelados pela imprensa.

O Parlamento israelense também criou uma comissão para apurar as alegações.

O NSO Group se pronunciou e disse que o relatório sobre Pegasus estava "cheio de suposições erradas e teorias não corroboradas".

"O Pegasus deve ser usado apenas por agências de inteligência e aplicação da lei do governo para combater o terrorismo e o crime", disse a empresa. O NSO Group também afirma não saber as identidades específicas das pessoas contra as quais os clientes usam o Pegasus, mas que, se receber reclamações, pode adquirir as listas de alvos e fechar unilateralmente o software para quaisquer clientes que o tenham abusado./ AFP e REUTERS

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