Israel intensifica ofensiva em Ramallah

O Exército israelense intensificou, nesta quarta-feira, sua ofensiva em Ramallah, impondo toque de recolher e patrulhando as ruas desertas da cidade. No início da noite, fez incursões no campo de refugiados de Jabaliya e em Khan Yunes, na Faixa de Gaza.Seis palestinos (incluindo um membro da guarda pessoal de Yasser Arafat) e um fotógrafo italiano foram mortos. Dois colonos judeus foram esfaquedos por um palestino que entrou no assentamento de Nachliel, na Cisjordânia, e conseguiu fugir.A ampliação da ofensiva em Ramallah provocou uma briga nesta quarta-feira entre o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, que ordenou a operação, e seu ministro da Defesa, Biniyamin Ben Eliezer, contrário a ela, revelou a imprensa de Israel.Ben-Eliezer é o líder do partido trabalhista, principal parceiro na coalizão de governo chefiada pelo Likud, de Sharon. Ele se opôs ao avanço das tropas, e ameaçou renunciar, porque nesta quinta-feira chega à região o enviado especial americano, general reformado Anthony Zinni, cuja missão é obter um cessar-fogo para abrir o caminho à retomada de negociações."Quem quiser sair do governo, pode sair... Não me ameace com eleições. No que me diz respeito, podemos ir às eleições. Todos vocês sabem qual será o resultado", disse Sharon, referindo-se provavelmente ao mau desempenho dos trabalhistas nas pesquisas de opinião.O vice-ministro de Saúde da Autoridade Palestina, dr. Munther As-Sharif, acusou nesta quarta-feira o Exército de Israel de impedir que médicos e ambulâncias socorram os feridos em Ramallah. Soldados e militantes palestinos travaram confrontos na área ao redor dos dois principais hospitais da cidade.Al-Sharif disse que dois tanques impediram o acesso aos dois hospitais por 13 horas nesta quarta-feira, durante a finalização da ocupação da cidade. Segundo o vice-ministro, o bloqueio só cessou depois que ele telefonou para funcionários israelenses e lhes disse que iria começar a operar os pacientes em plena rua. Um porta-voz do Exército de Israel negou que as tropas tivessem impedido o socorro.O Crescente Vermelho (correspondente à Cruz Vermelha nos países islâmicos) informou que dois pacientes morreram durante a noite, um por ferimentos de armas e outro, por complicações decorrentes do diabete, porque não puderam ser socorridos.Mais de 220 pessoas morreram na escalada do conflito em março, 160 do lado palestino e 60 do israelense.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.