Israel intensifica ofensiva terrestre após termino de trégua temporária

Combates entre guerrilheiros do Hezbollah e forças israelenses espalharam-se pelo sul do Líbano nesta terça-feira, horas após Israel dar a ordem para que seu Exército liberasse toda a região entre a fronteira norte do país e o Rio Litani, em território libanês, de militantes islâmicos. Já segundo funcionários do governo libanês, uma grande operação israelense envolvendo helicópteros foi observada próxima a cidade de Baalbek, localizada na margem norte do rio. Milhares de soldados israelenses atuaram ao longo de toda a fronteira entre o Líbano e Israel nesta terça-feira. Tropas israelenses adicionais invadiram o país vizinho durante o dia e se juntaram aos soldados que já lutam em território libanês há três dias.Quatro pontos diferentes ao longo da fronteira entre os dois países foram utilizados para a invasão, e os soldados israelenses adentraram ao menos quatro milhas no território libanês. Milhares de reservistas israelenses convocados no final de semana também se reuniram em uma área próxima da fronteira, prontos para lutar e aumentar o alcance da invasão. O Exército informou que os soldados irão até Litani, a aproximadamente 18 milhas da fronteira, e ficarão por lá até que uma força de paz internacional chegue. Porém, mais tarde, o próprio Exército informou que distribuiu panfletos em vilas ao nordeste do rio, onde o Hezbollah é ativo. Os papéis pedem às pessoas que saiam do local, sugerindo que uma nova ofensiva possa levar os soldados israelenses ainda mais para dentro do país.BaalbekO Exército libanês e forças de segurança locais informaram que uma grande operação israelense vem sendo travada contra supostos pontos de guerrilha próximos à cidade de Baalbek, a de 100 quilômetros do Rio Litani.Israel quer manter o Hezbollah longe da fronteira para prevenir que seus cidadãos e soldados sejam alvos de ataques ou seqüestros, como o ocorrido em 12 de julho, quando três militares morreram e dois foram capturados pelos militantes xiitas. A ação serviu de estopim para o atual conflito.Segundo um porta-voz do Hezbollah, soldados israelenses ficaram presos dentro de um hospital de Baalbek durante os confrontos. Os guerrilheiros cercaram o edifício e os combates continuam, informou um porta-voz do grupo libanês."Um grupo de comandos israelenses foi trazido ao hospital por um helicóptero. Eles entraram no hospital e permanecem presos enquanto nossos milicianos atiram neles", disse Hussein Rahal, porta-voz do Hezbollah. Os militares israelenses se recusaram a comentar.Rahal disse que os guerrilheiros estão usando bazucas e rifles automáticos e negou os rumores de que o Hezbollah está aproveitando para seqüestrar alguns pacientes do hospital. Cessar-fogoA União Européia pediu nesta terça-feira que Israel e o Hezbollah pararem com as "hostilidades" imediatamente. Inglaterra, Alemanha, Holanda, e a República Checa se recusaram a aprovar um documento que demandava o cessar-fogo imediato. A resistência a forçar Israel a um cessar-fogo incondicional se deve à preocupação de que tal ato possa ser visto como uma vitória do Hezbollah.O primeiro-ministro israelense Ehud Olmert disse que não é do interesse de Israel um cessar-fogo com as guerrilhas do Hezbollah, pois os confrontos diários estão enfraquecendo o grupo. Pesquisas de opinião em Israel apontam que os cidadãos apóiam a luta contra o Hezbollah, mesmo em meio aos lançamentos de foguetes e à ofensiva israelense que deverá causar ainda mais mortes. No entanto, as mortes de 56 libaneses depois do ataque devastador na cidade de Qana chamou a atenção para o número de mortes de civis. Pelo menos 532 libaneses morreram, incluindo 461 civis e 25 soldados libaneses e pelo menos 46 guerrilheiros. O ministério da Saúde afirma que o número pode ser ainda chegar a 750. Cerca de 50 israelenses morreram, 36 soldados e 18 civis.Texto atualizado às 22h14

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.