Israel interroga presos de Jericó para levá-los a julgamento

Os cinco membros da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) e outro palestino do Fatah, que foram presos na última terça-feira por Israel após o cerco à prisão de Jericó, estão sendo interrogados pelo Serviço Geral de Segurança (Shin Bet) para depois serem julgados em Israel. "Israel é um país onde existe uma independência judicial e estamos à espera de que se tome em breve a decisão de levar estes presos a julgamento para que um tribunal inicie o processo", disse à EFE o porta-voz do Ministério israelense de Assuntos Exteriores, Mark Reguev. A chanceler israelense e ministra da Justiça, Tzipi Livni, disse nesta quarta-feira de manhã à emissora de rádio do exército israelense, Galei Tsáhal: "Não tenho nenhuma dúvida de que (os presos) permanecerão conosco durante um longo tempo". Entre os detidos nesta terça-feira pelo exército israelense e que permaneciam presos na prisão da cidade cisjordaniana de Jericó custodiados por forças dos Estados Unidos e do Reino Unido, estão cinco membros da FPLP, entre eles, o secretário-geral do grupo, Ahmed Saadat, acusado de ser o autor intelectual do assassinato em outubro de 2001 do ministro israelense de Turismo, Rehavam Zeevi. Os outros quatro membros do grupo palestino de tendência marxista são: Ahed Ulame, chefe do braço armado da FPLP; Hamdi Kuran, acusado de ser a pessoa que disparou à queima-roupa contra Zeevi em um hotel de Jerusalém Oriental; Basel Azmer e Magdi Rimaui, membros do comando de apoio a Kuran. O sexto detido é o membro do Fatah, Fouad Shubaki, que foi assessor financeiro do falecido presidente palestino Yasser Arafat, acusado de ter financiado o cargueiro "Karim A", uma embarcação interceptada por Israel em janeiro de 2001 nas águas do Mar Vermelho, carregada de armamentos com destino à Faixa de Gaza. Em referência a Saadat, Reguev afirmou: "Temos a absoluta intenção de levá-lo à Justiça". Tanto a ministra Livni como seu porta-voz insistiram que antes de levá-lo aos tribunais, as autoridades jurídicas em Israel deverão certificar-se de que Saadat pode ser julgado neste país. Nenhum dos aprisionados foi acusado ou condenado por um tribunal palestino e o Supremo da Autoridade Nacional Palestina (ANP) resolveu há um ano libertar Saadat já que não tinha sido oficialmente imputado de nenhum crime. Por sua parte, o assessor legal israelense Moshe Negbi disse que a legislação em Israel impede que uma pessoa seja julgada duas vezes pelo mesmo delito, o que parece que não prejudicará um futuro julgamento neste país, pois os detidos não foram julgados pela ANP.

Agencia Estado,

15 Março 2006 | 09h42

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