Israel invade Nablus, fere 16 pessoas e derruba 30 casas

Militares israelenses feriram ao menos 16 palestinos, derrubaram cerca de 30 casas e detiveram dezenas de pessoas durante a operação do exército em Nablus, informaram neste domingo, 25, fontes da segurança da cidade que fica ao norte da Cisjordânia. O exército israelense mantém um cerco a um hospitalda cidade e impede o acesso dos feridos ao local, segundo fontes do centro médico.Fontes militares israelenses assinalaram que a operação continuará nos próximos dias e admitiram apenas a detenção de um membro da Jihad Islâmica, um dos alvos da ação militar.O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, condenou a operação israelense por meio de um comunicado oficial no qual diz que se trata de "uma agressão" e de "um ato de sabotagem" contra o Acordo de Meca, que firmou as bases para um governo de união nacional entre os islâmicos do Hamas e os nacionalistas do Fatah, grupo liderado por ele.Dois soldados israelenses também ficaram feridos quando militantes palestinos os atacaram, informaram fontes militares. Os soldados - que começaram a operação na noite de sexta para sábado - foram atacados com blocos de cimento, bombas incendiárias e outros artefatos quando membros do corpo de infantaria do regimento Golani, dos blindados e da engenharia chegaram neste domingo ao centro da cidade.Segundo fontes palestinas, os soldados entraram em Nablus com mais de 100 veículos, entre jipes, carros blindados e escavadeiras, e por meio de alto-falantes instaram os residentes a informar sobre o paradeiro de seis milicianos procurados das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, filiadas ao movimento nacionalista Fatah.Toque de recolherO Exército israelense impôs o toque de recolher a cerca de 50 mil moradoresno centro e na parte antiga da cidade para buscar os procurados casa a casa. Todas as atividades na cidade foram paralisadas e os dois hospitais locais foram cercados.As tropas israelenses, segundo fontes palestinas, bloquearam os acessos a Nablus por meio de obstáculos de cimento e fecharam a Universidade de Al-Najah e as escolas.Segundo informações de fontes palestinas não confirmadas pelo Exército israelense, os militares conseguiram fazer transmissões pelas ondas da rádio palestina para chamar os militantes procurados a depor suas armas e se entregarem.De acordo com um porta-voz militar israelense, até a tarde deste domingo, ossoldados que participam da operação descobriram pelo menos dez artefatos explosivos e um laboratório de dinamite e armas. Supõe-se que as escavadeiras israelenses possam ser empregadas caso os milicianos palestinos se entrincheirem na cidade.Greve geralAs operações se intensificaram neste domingo após uma greve geral e umamanifestação promovidas pelos islâmicos do Hamas e os nacionalistasdo Fatah para exigir que as forças de segurança da ANP ponham fim àanarquia e restabeleçam o império da lei contra diversas milícias.Um porta-voz militar israelense informou neste domingo que um dosobjetivos da operação é buscar também laboratórios de explosivos queoperam clandestinamente em Nablus.Segundo testemunhas, as tropas israelenses contam com o apoio da Força Aérea e, pela primeira vez nos últimos anos, o Exército colocou blocos de cimento armado para impedir a entrada em Nablus, cidade a cerca de 70 quilômetros ao norte de Jerusalém.

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