Yonatan Sindel / EFE
Yonatan Sindel / EFE

Israel irá indenizar famílias de crianças desaparecidas no início dos anos 1950

Na época, médicos disseram aos pais biológicos que seus filhos haviam morrido durante o parto, mas nunca entregaram os corpos; Estado hebraico concederá cerca de 50 milhões de dólares para as vítimas

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2021 | 01h38

JERUSALÉM - Israel irá indenizar as famílias de crianças desaparecidas, a maioria iemenitas, no Estado hebraico no início dos anos 1950. O anúncio sobre este episódio "doloroso" na história israelense foi feito pelo primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, na segunda-feira, 22.

Defensores dos direitos humanos e famílias de imigrantes judeus relataram por décadas que milhares de bebês foram roubados de seus pais biológicos nos primeiros anos após a criação de Israel, em 1948.

Segundo eles, esses recém-nascidos, muitos deles de ascendência iemenita, foram dados a casais de judeus asquenazes (Europa Central e Oriental) que viviam em Israel ou no exterior. Os médicos disseram aos pais biológicos que seus filhos haviam morrido durante o parto, mas nunca entregaram os corpos.

Estes casos sombrios levaram a acusações de racismo e "discriminação" por judeus sefarditas (nativos da Espanha e dos países do Magrebe e do Oriente Médio) contra a classe dominante israelense, com predominância dos asquenazes.

“Chegou a hora do sofrimento das famílias que tiveram seus bebês tirados ser reconhecido pelo Estado e dessas famílias serem indenizadas”, anunciou Netanyahu em nota publicada por seu gabinete.

No entanto, o primeiro-ministro israelense reconheceu que o dinheiro não irá reparar o "terrível" e "insuportável sofrimento" de famílias do Iêmen e de outros países árabes e balcânicos que tiveram seus filhos levados.

Indenização

O Estado hebraico alocará um total de 162 milhões de shekels (cerca de 50 milhões de dólares) para indenizar as vítimas.

As famílias das crianças supostamente mortas, as quais não se sabe onde foram enterradas, receberão 150 mil shekels (cerca de US$ 45 mil), enquanto as famílias que não sabem o paradeiro de seus descendentes receberão 200 mil shekels (US$ 61 mil), informou o ministro das Finanças, Israel Katz.

“O Estado tenta silenciar as famílias com uma indenização ridícula e parcial sem reconhecer sua responsabilidade pelo ocorrido”, criticou a associação Ahim Vekayamim, que reúne famílias de crianças desaparecidas, em sua conta no Facebook.

Netanyahu já se mostrou favorável, em 2016, a examinar os autos deste caso, apesar de os documentos estarem sobre sigilo até 2031.

Várias investigações oficiais concluíram que a maioria das crianças desaparecidas morreu devido às más condições sanitárias nos campos onde suas famílias se estabeleceram.

Em 2018, a justiça israelense autorizou a abertura de túmulos de crianças judias mortas no início dos anos 1950, além de realizar análises genéticas para tentar esclarecer os desaparecimentos./ AFP

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