Israel isenta de culpa soldados que mataram 12 palestinos

Uma investigação interna do Exército de Israel isentou de culpa os soldados israelenses que assassinaram 12 palestinos em três incidentes na semana passada, numa decisão considerada pelos palestinos como um acobertamento. Nenhum dos mortos portava armas. Também hoje, Israel impôs um toque de recolher na maioria das cidades da Cisjordânia e proibiu os palestinos de viajarem para tentar manter militantes fora de seu território durante o ano-novo judaico. As restrições confinaram mais de 630.000 palestinos em suas casas.Na Faixa de Gaza, veículos do Exército israelense cercaram a cidade central de Deir el-Balah com a cobertura de intensas rajadas de metralhadoras, disseram fontes palestinas. O Exército judeu preferiu não se pronunciar. Mais cedo, helicópteros artilhados israelenses atacaram nesta sexta pela manhã uma metalúrgica na cidade de Khan Younis.Segundo Israel, o local era utilizado para produzir armas - uma alegação negada pelos proprietários palestinos. Ninguém ficou ferido no ataque. O bombardeio ocorreu um dia depois que militantes palestinos explodiram com uma poderosa bomba um tanque israelense e abriram fogo contra uma patrulha do Exército. Dois soldados foram mortos e quatro ficaram feridos nos ataques, ocorridos em Gaza.O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, disse que a situação em Gaza, onde uma trégua é atualmente testada, "fica cada dia pior". O ministro da Defesa de Israel, Binyamin Ben-Eliezer, afirmou que o Estado judeu não continuará a entregar a responsabilidade da segurança de Gaza às autoridades palestinas, como havia sido inicialmente acertado no mês passado mediante acordo, devido à atual situação na área.Pouco antes do início do feriado do ano-novo judaico, no entardecer desta sexta (pelo horário local), os militares divulgaram os resultados de uma investigação sobre o assassinato de 12 palestinos por soldados israelenses num período de quatro dias na semana passada.A investigação militar descobriu que, em dois casos, palestinos se comportavam de forma suspeita em áreas onde a presença de civis não era permitida e que os soldados agiram de acordo com os regulamentos quando abriram fogo contra eles. Em um terceiro incidente, no qual duas crianças e dois adolescentes palestinos foram mortos durante um ataque com mísseis contra supostos militantes, um dos projéteis errou o alvo, aparentemente por um defeito técnico, e atingiu as vítimas civis, segundo o informe.O Exército investigou ao todo as mortes de quatro agricultores palestinos em Gaza, quatro funcionários de uma pedreira na Cisjordânia e os quatro jovens no ataque com mísseis. De acordo com os militares, os funcionários da pedreira estavam mascarados, tinham um machado e havia "uma possibilidade" de eles estarem em rota para realizar um ataque.Ainda segundo as conclusões dos militares, os adolescentes mortos pelo míssil eram cúmplices de milicianos procurados. Para os palestinos, no entanto, os 12 eram civis. Em resposta ao relatório, o ministro do Gabinete palestino, Saeb Erekat, disse que estava "envergonhado por Israel não levar à Justiça aqueles que mataram a sangue-frio crianças e mães inocentes".Os palestinos e grupos de direitos humanos afirmam que Israel usa de força excessiva contra civis. Israel, por sua vez, se defende, dizendo que realiza ataques militares para defender sua população de militantes palestinos ao mesmo tempo em que procura evitar mortes ou ferimentos de civis. Com o início do ano-novo judaico, Israel impôs toque de recolher nas cidades da Cisjordânia de Nablus, Ramallah, Tulkarem, Jenin e Qalqilya, assim como em partes de Hebron. Em Jenin, 4.000 pessoas desafiaram o toque de recolher para participar do enterro de um miliciano morto por tropas israelenses no início desta sexta. Durante o serviço fúnebre, pistoleiros trocaram tiros com soldados de Israel por cerca de uma hora. Não há informações de feridos.

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