Israel já fala em escalada no conflito com palestinos

O ministro da Defesa israelense, Amir Peretz, classificou nesta segunda-feira o ataque suicida contra a cidade de Eilat como uma "escalada" que ameaça o cessar-fogo que vinha sendo mantido há dois meses na região. O atentado suicida - o primeiro em nove meses em território israelense - deixou três mortos neste balneário turístico do Mar Vermelho, no sul do país.Peretz afirmou que convocaria uma reunião de emergência para discutir uma resposta ao ataque. "Está claro que grupos extremistas estão fazendo tudo o que podem para acabar com o cessar-fogo", disse ele. "Nós definitivamente precisaremos tomar as medidas necessárias. Este é um incidente grave, é uma escalada, e teremos que tratá-la como tal."Ainda assim, o ministro - que é líder do Partido Trabalhista, de esquerda - afirmou que pretende distinguir os palestinos extremistas dos moderados.Até o ataque desta segunda-feira, Israel não sofria com atentados suicidas há nove meses. A explosão da manhã desta segunda-feira atingiu um normalmente tranqüilo balneário turístico, localizado no extremo sul de Israel, à beira do Mar Vermelho, e próximo às fronteiras com a Jordânia e o Egito. Isolado das grandes cidades por centenas de quilômetros, Eilat era considerado um local imune do conflito entre israelenses e palestinos.Dois grupos palestinos - a Jihad Islâmica e as Brigadas dos Mártires de Al Aqsa - reivindicaram conjuntamente a autoria do ataque. Já o Hamas, que lidera o governo palestino, recebeu o ataque como "uma resposta natural à presença de militares israelenses na Cisjordânia e na Faixa de Gaza". A posição deve complicar os esforços do grupo em acabar com um boicote nas ajudas financeiras à Autoridade Palestina (AP) imposto pela comunidade internacional.Além de Peretz, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert também afirmou que o ataque dificultará a manutenção de uma trégua em Gaza acertada com a liderança do Hamas. Olmert prometeu continuar com o "permanente e nunca terminado embate com os terroristas".Em um encontro com legisladores do partido Kadima, o premier disse que ordenou os chefes de segurança a investigarem como o ataque aconteceu."Nó iremos tirar conclusões, aprenderemos novas lições. Nunca iremos parar de lutar contra o terrorismo", disse Olmert.Tanto a Jihad Islâmica quanto as Brigadas dos Mártires de Al Aqsa disseram que o ataque tinha por objetivo por um fim às semanas de enfrentamentos internos que já deixaram mais de 60 palestinos mortos na Faixa de Gaza desde dezembro. Nesta segunda-feira, ao menos quatro pessoas morreram nas brigas entre o Fatah e o Hamas, as duas facções palestinas rivais que disputam o poder nos territórios autônomos."A operação teve uma mensagem clara aos rivais palestinos. É necessário acabar com o conflito interno e apontar nossas armas às forças de ocupação que têm machucado o povo palestino", disse um comunicado publicado no site da Jihad islâmica. O grupo identificou o homem-bomba como Mohammed Saksak, um jovem de 21 anos residente na Cidade de Gaza. A família de Saksak anunciou que o rapaz deixou sua casa há três dias e desde então não retornou.Comportamento suspeitoTestemunhas disseram que o atacante chamou a atenção porque usava um pesado casaco de inverno em um dia quente e ensolarado. A polícia afirmou, entretanto, que ao invés de presa ao corpo do suspeito, como de costume, a bomba estava localizada em uma sacola carregada por Saksak."Estava muito, muito quente. Ele usava um casaco, o me pareceu estranho. Eu pensei, ´para que esse idiota está vestido desse jeito?´ Alguns segundos depois, eu escutei a explosão", disse Benny Mazgini, de 45 anos, à Radio Israel.Partes de corpos e estilhaços de vidro podiam ser visto pelo local da explosão. Inicialmente, a polícia dissera que a o incidente havia sido causado por um vazamento de gás. Este é o segundo atentado suicida em território israelense desde que o Hamas venceu as eleições palestinas em janeiro do ano passado. Pouco após chegar ao poder, o grupo foi amplamente criticado por apoiar um ataque realizado em Tel-Aviv. Nesta segunda-feira, um porta-voz do Hamas Fawzi Barhoum disse que os ataques a Israel eram preferíveis à recente onda de violência entre as facções palestinas. "A coisa certa é apontar a as armas do Fatah contra a ocupação, e não contra o Hamas".Na cidade de Beit Lahiya no norte da Faixa de Gaza, uma grande multidão uniu-se do lado de fora da casa do suicida para agradecer pelo ataque. "Mohammed, seja feliz. Você irá direto ao paraíso", cantava a multidão, enquanto crianças seguravam fotografias de SakSak.Já em Israel, os organismos de segurança anunciaram que estão em estado de alerta máxima em todo o país frente à possibilidade de retomada dos ataques contra alvos israelenses.

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