Israel liberta 255 palestinos

Maioria é da facção de Abbas, o Fatah; medida visa a Fortalecer presidente da AP em sua disputa com o Hamas

Reuters, AFP e AP, O Estadao de S.Paulo

22 Julho 2007 | 00h00

Israel libertou ontem 255 prisioneiros palestinos, a maioria do grupo laico Fatah, como um gesto de apoio ao presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmud Abbas, em sua disputa com a facção radical Hamas, que tomou o controle da Faixa de Gaza há um mês, após violentos confrontos. "Dou graças a Deus que nos tenham honrado com o retorno dos heróis para casa", disse Abbas, líder do Fatah, em uma cerimônia de boas-vindas na sede do governo da AP, em Ramallah. "Temos de continuar trabalhando para o retorno de todos os prisioneiros palestinos." Há mais de 10 mil palestinos em prisões israelenses, a maioria detida durante os últimos sete anos. Foi a maior libertação de prisioneiros palestinos desde 2005, quando 900 deles foram soltos por Israel. Um dos presos, da lista de 256 que seriam libertados, não foi solto, pois aparentemente se filiou ao Hamas na prisão. "Tenho somente três palavras para dizer: liberdade, liberdade, liberdade. Nada é mais belo do que a liberdade", disse, emocionado, Abdelrahim Maluh, número 2 da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), um dos principais movimentos nacionalistas. "Ninguém pode apreciar melhor a liberdade do que quem foi privado dela", acrescentou Maluh, de 61 anos, preso desde 2002. A libertação começou ao amanhecer, quando os prisioneiros foram retirados da prisão de Ketziot, no Deserto do Neguev, e colocados em vários ônibus que os levaram à passagem de Beitanya, na entrada de Ramallah. Nos ônibus foram penduradas fotos de Abbas e seu antecessor, Yasser Arafat. Os ex-prisioneiros foram recebidos por uma multidão. Parentes, amigos e vizinhos choravam e agitavam bandeiras palestinas. Em comemoração, alguns disparavam para o ar. Jamila Jaradat temia morrer antes de ver seu filho, um militante palestino que passou quase metade da vida em uma prisão israelense. Ela disse que pensou estar sonhando quando viu Muhannad, de 38 anos, caminhando em sua direção. As pernas de Jamila começaram a tremer e ela caiu em lágrimas. "Meu querido! Estou sonhando?", disse ela. Muhannad cumpriu 18 anos de sua pena de 20 anos de prisão por colocar bombas em Israel. Ele declarou que nenhuma delas havia causado mortes. Israel disse que libertou apenas prisioneiros sem "sangue nas mãos".

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