Oliver Weiken/EFE
Oliver Weiken/EFE

Israel liberta 26 presos às vésperas de reunião de paz

Detentos palestinos são levados a Cisjordânia e Gaza, enquanto governo Netanyahu oficializa aval a 900 casas em território árabe

O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2013 | 22h42

Israel libertou nessa terça-feira 26 palestinos condenados por terrorismo, medida negociada para retomar o diálogo direto de paz, parado há três anos. Os 26 detentos seguiram diretamente para a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, onde foram recebidos com festa. Nesta quarta-feira, 14, em Jerusalém, negociadores dos dois lados fazem a primeira reunião sobre um acordo para pôr fim a mais de seis décadas de conflito.

Na tentativa de reduzir as expectativas, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry - que após seis viagens ao Oriente Médio conseguiu trazer palestinos e israelenses de volta à mesa de negociação -, havia afirmado que, nessa fase inicial, dificilmente se chegará a um acordo. O prazo estipulado para as negociações é de nove meses.

Enquanto os presos palestinos eram soltos, o Ministério do Interior de Israel oficializou a construção de 900 casas em uma área de Jerusalém Oriental, território ocupado em 1967. Questionado na terça, em Brasília, sobre o anúncio de novas construções israelenses em território palestino, Kerry negou que elas ponham em risco os atuais esforços de paz. "A política dos EUA com respeito a todos os assentamentos israelenses é que eles são ilegítimos", afirmou o secretário de Estado.

"No entanto, o primeiro-ministro (Binyamin) Netanyahu foi muito franco conosco e com o presidente (palestino, Mahmoud) Abbas, dizendo que ele anunciaria algumas construções adicionais em lugares que não afetariam o mapa da paz."

No Brasil, o chefe da diplomacia americana também conversou por telefone com Abbas. O líder palestino, segundo relatou Kerry ao lado do chanceler brasileiro, Antonio Patriota, "está comprometido em continuar com as negociações".

No fim de semana, em meio à retomada das negociações, Netanyahu deu aval à construção de unidades residenciais na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. A medida busca acalmar setores mais radicais e ligados aos colonos que integram o gabinete israelense, pouco antes da libertação da primeira leva de presos palestinos. EUA, União Europeia e ONU criticaram a decisão de Israel.

A expansão anunciada deve ocorrer em território ocupado por Israel em 1967. No entanto, os israelenses afirmam que essas construções estão em trechos que ficariam sob jurisdição israelense caso haja um acordo de paz. Negociadores palestinos e israelenses admitem que um eventual pacto envolverá intercâmbio de territórios, de acordo com a mudança da realidade demográfica desde 1967.

Os 26 palestinos soltos na terça-feira fazem parte de uma leva de 104 presos que Israel aceitou libertar conforme o avanço das negociações de paz. Todos foram condenados entre 1985 e 1994 por terrorismo e deveriam permanecer mais tempo atrás das grades. Eles foram levados em dois ônibus da prisão de Ayalon. Um dos veículos seguiu para Gaza e o outro, para a Cisjordânia. Ao recebê-los, Abbas prometeu que não vai parar de lutar "até que todos os presos palestinos sejam libertados". / REUTERS

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