Israel libertará 104 palestinos e negociação de paz é retomada nos EUA

Gabinete israelense aprova libertação de presos, como exigia a Autoridade Palestina, e negociadores começam tratativas nesta segunda em Washington

Denise Chrispim Marin / CORRESPONDENTE EM WASHINGTON,

28 de julho de 2013 | 21h39

Os EUA anunciaram neste domingo, 28, a retomada de negociações de paz no Oriente Médio depois de o governo de Israel aceitar libertar 104 palestinos presos há mais de 20 anos. A concessão israelense não garante um acordo com os palestino, mas é o primeiro resultado da intensa pressão do secretário de Estado americano, John Kerry, sobre os dois lados. A última tentativa do governo de Barack Obama para avançar nas tratativas fracassou no fim de 2010.

Representantes israelenses e palestinos se reunirão na noite desta segunda-feira e na terça-feira, segundo o porta-voz do Departamento de Estado Jen Psaki. Kerry, que fez seis viagens para a região nos últimos quatro meses para tentar ressuscitar as negociações, estendeu os convites ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e ao presidente palestino, Mahmoud Abbas.

Netanyahu pressionou os membros de seu gabinete a acatar a libertação dos presos como um sinal de empenho. Dos 22 ministros, 13 votaram a favor, 7 foram contra e 2 se abstiveram. Na frente da sede do governo, cerca de 200 pessoas protestavam contra a medida.

"Este momento não é fácil para mim nem para os ministros. Não é fácil especialmente para as famílias enlutadas, cujos corações eu entendo. Mas há momentos em que duras decisões tem de ser tomadas para o bem do país, e este é um desses momentos. Essa é uma decisão dolorosa para toda a nação", afirmou Netanyahu a seu gabinete.

Houve protestos também na Cisjordânia, onde palestinos contrários à retomada das negociações entraram em confronto com a polícia. O principal negociador palestino, Saeb Erekat, queixou-se da demora da adoção de um acordo de 1999, que previa a libertação desses mesmos presos. "A decisão é bem vinda, com 14 anos de atraso", afirmou, em comunicado.

A mera aceitação dos dois lados de se sentarem à mesma mesa, em Washington, configura a primeira conquista de Kerry em quase seis meses no Departamento de Estado. Representa também uma chance de Obama incorporar a seu legado o que nenhum antecessor conseguiu.

Diferenças. O primeiro grupo de prisioneiros será solto antes do fim do Ramadã, nesta semana. Outros três grupos serão libertados, na medida em que as negociações avancem nos próximos seis a nove meses. Ainda há, porém, uma controvérsia em relação aos 104 beneficiados – todos presos pelas forças israelenses entre 1983 e 1994.

Os palestinos esperam ver incluídos na lista 14 israelenses de origem palestina e seis palestinos residentes em Jerusalém Ocidental – os mesmos que Israel negou-se a libertar nas últimas tentativas de acordo.

"O acordo com Kerry foi que todos os presos antes dos Acordos de Oslo (1993), incluindo israelenses árabes e os residentes em Jerusalém Oriental, seriam libertados", reagiu o ministro palestino de Assuntos de Prisioneiros, Issa Qarakeh.

Superada a questão dos presos, as conversas devem partir para temas mais complexos, como o destino dos refugiados palestinos, o futuro dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, o status de Jerusalém e as fronteiras – que em princípio, deveriam obedecer o traçado anterior a 1967. Isso exigiria uma árdua negociação interna do governo israelenses com eleitores residentes em áreas que, então, eram palestinas.

 

(Com New York Times)

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