REUTERS/Ronen Zvulun
REUTERS/Ronen Zvulun

Israel liga anúncio de novas colônias à saída de Obama

Casa Branca informa que iniciou trâmites para mudar embaixada americana de Tel-Aviv para Jerusalém, uma promessa de Trump

O Estado de S. Paulo

22 Janeiro 2017 | 22h11

JERUSALÉM - O governo de Israel aprovou neste domingo, 22, a construção de centenas de casas em três assentamentos em território palestino, no leste de Jerusalém. O anúncio programado inicialmente para dezembro foi adiado para logo após a posse de Donald Trump, com a expectativa de que o novo governo reverta a oposição administração de Barack Obama a essas construções. A Casa Branca já iniciou trâmites para mudar a embaixada americana para Jerusalém.

Autoridades israelenses admitem que a chegada do republicano ao poder impulsionou o lançamento de novos projetos de colonização em Jerusalém Oriental. A prefeitura israelense de Jerusalém deu a aprovação definitiva à construção de 556 casas em três bairros de colonos do leste da cidade, de população majoritariamente árabe, explicou um conselheiro municipal. 

Em Jerusalém Oriental, a pedido do premiê Binyamin Netanyahu e à espera da chegada de Trump à Casa Branca, foram congeladas no fim de dezembro as autorizações de construção de casas, explicou à agência France Presse Meir Turjeman, presidente da comissão de construção e planejamento da prefeitura de Jerusalém. “As regras do jogo mudaram com a chegada de Donald Trump ao poder. Não temos mais as mãos atadas, como na época de Barack Obama”, afirmou Turjeman. “Essas 566 casas são apenas o tiro de largada. Temos planos para construir 11 mil casas à espera de ser autorizados” nos bairros de colonos de Jerusalém Oriental, acrescentou.

A resposta palestina veio rápido: “A decisão israelense é um desafio ao Conselho de Segurança (da ONU), sobretudo após sua recente votação, na qual afirma o caráter ilegal das colônias”, afirmou Nabil Abu Rudeina, porta-voz da presidência da Autoridade Palestina.

“Exigimos que o Conselho de Segurança aja em conformidade com esta resolução, para deter o governo extremista israelense que destrói qualquer possibilidade de alcançar uma solução com dois Estados.”

O prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, declarou em um comunicado que também serão construídas 105 casas nos bairros palestinos. “Passamos oito anos difíceis com Barack Obama, que pressionava para que as construções fossem congeladas”, explicou o prefeito.

Netanyahu comemorou a chegada ao poder de Trump, depois de ter mantido relações tensas com Obama, crítico à questão das colônias, consideradas por ele um obstáculo nas negociações de paz com os palestinos.

A animosidade alcançou seu pico em 23 de dezembro, quando os EUA não vetaram, pela primeira vez desde 1979, uma resolução da ONU que condenava as colônias israelenses. Logo após a aprovação da resolução, o então presidente eleito pediu a Netanyahu que “aguentasse firme” até que ele assumisse o poder. 

Em proposta que levou a protestos palestinos, Trump também prometeu mudar a Embaixada dos EUA de Tel-Aviv para Jerusalém. Israel considera Jerusalém sua capital indivisível. Os palestinos dizem que a mudança da embaixada acabaria com quaisquer perspectivas de paz. 

Fontes do governo israelense indicaram ontem que a transferência poderia ser anunciada hoje, mas a Casa Branca informou ontem que ainda estava no “estágio inicial” das discussões sobre o tema. 

 Uma ala radical da direita israelense lançou uma campanha de pressão sobre Netanyahu a favor de uma anexação de Maalé Adumim, uma importante colônia da Cisjordânia ocupada. O premiê israelense evitou se pronunciar sobre o tema ontem.

Segundo um novo projeto de lei apresentado por dois deputados da maioria parlamentar, Israel anexaria Maalé Adumim, assim como um setor que uniria esta colônia a Jerusalém. Esta decisão dividiria em dois a Cisjordânia e tornaria praticamente impossível a criação de um Estado palestino viável, com continuidade geográfica. Situada a leste de Jerusalém e criada em 1975, Maalé Adumim é a terceira colônia mais populosa da Cisjordânia. 

Netanyahu e Trump conversaram ontem por telefone pela primeira vez desde a posse. Trump o convidou para visitá-lo em Washington e disse que as negociações de paz têm de ser conduzidas diretamente entre israelenses e palestinos. / AFP, REUTERS e EFE

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