Israel mantém ocupação e faz "massacres", dizem palestinos

O Exército de Israel entrou nos campos de refugiados de Balata, em Nablus, e da cidade de Jenin, no norte da Cisjordânia, e concentra grande contingente de tropas na periferia de Hebron, no sul. As tropas entraram de madrugada no vilarejo de Yatta, vizinho de Hebron, e retiraram-se após intenso tiroteio. Em Belém, militantes e forças de segurança da Autoridade Palestina (AP), bem como mais de 70 religiosos, continuam sitiados pelas tropas na Basílica da Natividade, no centro da cidade."Hoje é o dia dos massacres em Jenin. O diretor do hospital me disse que há pelo menos 30 mártires em um dos bairros de Jenin", disse o ministro da Informação da AP, Yasser Abed Rabbo, que no dia anterior teve a casa revistada pelas tropas israelenses, que o mantiveram retido por cerca de 40 minutos. A imprensa tem dificuldade de checar os dados divulgados por ambos os lados porque Israel está impedindo o acesso de jornalistas às áreas tomadas ou cercadas pelos militares."Nós os encurralamos lá dentro (os militantes palestinos do campo de Jenin) para que se rendam. Aqueles que não se renderem, nós vamos matar", declarou o comandante das forças israelenses na área, Tal Aluf Eyal Shlein. "É uma luta determinada. Houve muitas baixas no outro lado", complementou.Depois que o governo dos EUA anunciou na quinta-feira a ida do secretário de Estado Colin Powell ao Oriente Médio e pediu a retirada das tropas israelenses das áreas palestinas autônomas, Israel intensificou os ataques na Cisjordânia, aparentemente para concluir suas operações antes da chegada do americano.O prédio em que o presidente da AP está confinado, em Ramallah, voltou a ser bombardeado hoje pelos tanques que o cercam há mais de uma semana. Os palestinos denunciam a morte de dezenas de pessoas em combates com os soldados israelenses em Nablus e Jenin, onde militantes de grupos radicais e policiais da Autoridade Palestina (AP) anunciaram que vão resistir "até a morte". Os acampamentos são densamente povoados e formados por ruelas estreitas. Desde o início da invasão israelense às áreas autônomas palestinas, na sexta-feira, essas são as cidades em que os palestinos estão impondo maior resistência. Residentes no campo de Jenin disseram à Associated Press que os helicópteros e tanques estão atirando em qualquer coisa que se move. Militantes de todos os grupos uniram-se e estão distribuindo cinturões de explosivos para as pessoas dispostas a amarrá-los ao corpo e atacar os soldados. O Exército informou que entre sexta-feira e hoje sete soldados foram mortos em Jenin e um outro na Faixa de Gaza, num ataque de dois ativistas do grupo Jihad Islâmica, com armas e granadas contra um assentamento judaico. Eles foram mortos pelos militares.O Exército de Israel deslanchou sua maior operação militar nos territórios na sexta-feira retrasada, depois que um atentado suicida em um hotel de Netanya matou 26 israelenses. Foram reocupadas seis grandes cidades autônomas palestinas (Ramallah, Tulkarem, Qalqiliya, Jenin, Nablus e Belém), várias outras menroes, como Beit Jala e Toubas, e diversos campos de refugiados. Os soldados prenderam mais de mil pessoas, apreenderam grande quantidade de armas e explosivos e estão revistando casa a casa, em busca de suspeitos de participar dos atentados contra israelenses. Dezenas de civis, incluindo várias crianças, foram mortos nos bombardeios.O secretário de gabinete da AP, Ahmed Abdel Rahman, frisou hoje que os altos funcionários palestinos só se reunirão com Powell se ele se encontrar com Arafat. Desde que o presidente americano, George W. Bush, tomou posse há 15 meses, nenhum líder americano esteve com o líder palestino. "Arafat é a única direção", disse hoje Rahman, um dia depois de o enviado dos EUA ao oriente Médio, general da reserva Anthony Zinni, visitou-o em seu QG sitiado em Ramallah - tendo sido o primeiro funcionário estrangeiro a ter permissão de Israel para entrar lá. Rahman afirmou que todos os funcionários da AP fora da área cercada perderam todo o contato com o líder palestino na sexta-feira, e acusou os israelenses de interferirem nos sinais telefônicos. A eletricidade no QG de Arafat foi cortada, mas o Exército alega que não foram suas forças que fizeram isso.

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