Israel manterá posição 'firme' sobre fronteiras palestinas, diz Netanyahu

Premiê pretende 'fazer concessões dolorosas' pela paz, mas disse que não dividirá Jerusalém

estadão.com.br

24 de maio de 2011 | 12h58

Netanyahu em meio aos congressistas americanos antes do discurso

 

WASHINGTON - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse nesta terça-feira, 24, manterá uma posição "firme" sobre as fronteiras palestinas. Em discurso diante do Congresso americano, o premiê disse que quer a paz no Oriente Médio e está disposto a fazer "concessões dolorosas" para que isso ocorra.

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"Estou disposto a fazer as dolorosas concessões para atingir essa paz histórica. Como líder de Israel, é minha responsabilidade", disse ele no discurso. "Não é fácil para mim. Isso não é fácil, porque eu reconheço que a verdadeira paz necessitará da entrega de partes da terra natal ancestral dos judeus", continuou, referindo-se ao território ocupado da Cisjordânia.

 

No pronunciamento, Netanyahu reafirmou que Israel não regressará às fronteiras de antes de 1967, quando ocorreu a Guerra dos Seis Dias, conforme havia sugerido o presidente americano, Barack Obama, em discurso na semana passada. Apesar disso, o premiê garantiu que será "generoso" no estabelecimento das fronteiras do Estado palestino.

 

Jerusalém

 

O premiê israelense ainda tocou em um assunto sensível para os palestinos - a divisão de Jerusalém. Netanyahu deixou claro, como não havia feito antes, que a cidade sagrada não será dividida. Os palestinos reivindicam a parte oriental da cidade como capital de seu futuro Estado.

 

E ele ainda se dirigiu ao presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, com quem negocia a paz, afirmando que o Fatah, partido à frente do diálogo, deve romper o pacto firmado com a facção radical Hamas, que não aceita o Estado judeu e prega seu extermínio.

 

Netanyahu ainda pediu que o reconhecimento unilateral do Estado palestino seja combatido na Organização das Nações Unidas (ONU). A AP quer levar o assunto a votação no Conselho de Segurança em setembro.

 

O pronunciamento de Netanyahu ocorre poucos dias depois do encontro entre ele e Obama na Casa Branca em meio a declarações de ambos sobre a paz no Oriente Médio e um futuro Estado palestino.

 

O israelense disse que as fronteiras pré-1967 são "indefensáveis" e se disse comprometido com o processo de paz, mas sem negociações com o Hamas. O pronunciamento segue também uma fala do presidente americano para a Aipac, organização de lobby judaico nos EUA.

 

Reação

 

Em resposta ao discurso de Netanyahu, um porta-voz do presidente palestino Mahmud Abbas disse que a fala coloca novos obstáculos diante do processo de paz.

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