Israel manterá tropas em territórios palestinos

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, voltou a desafiar hoje os EUA, principal aliado de seu país, e pela terceira vez recusou-se a atender ao pedido do governo americano de que retire suas tropas de seis cidades autônomas palestinas, invadidas semana passada. É a maior incursão de Israel nessa região da Cisjordânia desde a criação da Autoridade Palestina (AP), em 1994. O presidente George W. Bush fez a solicitação pessoalmente hoje ao chanceler israelense, Shimon Peres, durante sua visita a Washington e, segundo porta-vozes da Casa Branca, prometeu que o país manterá uma "firme pressão" para que o presidente da AP, Yasser Arafat, "faça 100% de esforço para deter a violência". Peres disse à imprensa que Bush pediu a retirada das tropas e "sugeriu que a continuação da violência palestino-israelense torna mais difícil para ele manter a coalizão antiterrorismo". No entanto, o chanceler afirmou que Israel só removerá suas forças das áreas autônomas depois que a AP prender os resposáveis pela morte do ministro do Turismo, Rehavan Zeevi, morto por membros da Frente Popular para a Liberação da Palestina (FPLP), num ataque a tiros em Jerusalém, na quarta-feira passada. Comunicado emitido na segunda-feira pelo Departamento de Estado dos EUA diz que as forças israelenses "deveriam ser retiradas imediatamente de todas as áreas sob controle palestino e nenhuma incursão do tipo deveria ser mais feita". O texto também exortava a AP a fazer tudo que estiver a seu alcance para "frear a violência e o terror". Após reunir-se hoje com o secretário de Estado americano, Colin Powell, Peres declarou que o termo "imediato" não é tão duro como a imprensa vem reportando. Diários americanos e israelenses vêm publicando artigos destacando a crescente crise nas relações entre EUA e Israel. Ao enviar as tropas para Belém, Tulkarem, Jenin, Ramallah, Qalqyliya e Nablus, na Cisjordânia, um dia depois do assassinato de Zeevi, Sharon afirmou que só as removerá de lá depois que Arafat determinar a prisão e entrega à Israel dos responsáveis pela morte de Zeevi. Peres aparentemente amenizou hoje a exigência israelense, pois, ao contrário de Sharon, disse que Israel quer que a AP "prenda os culpados". Na semana passada, após receber o ultimato de Sharon, Arafat deixou claro que não entregaria aos israelenses nenhum cidadão palestino, uma vez que os acordos de paz de Oslo, pelos quais a AP foi criada, não prevêem a extradição. Clérigos cristãos encabeçaram hoje uma manifestação de 6 mil pessoas em Belém, pedindo paz. A cidade é um dos principais pontos de confronto nos últimos dias e mais de dez tanques israelenses ocupam suas ruas e a Praça da Manjedoura. Desde o início das incursões, foram mortos 31 palestinos e 1 israelense. Hoje, morreram três palestinos em distintos enfrentamentos. O grupo radical Hamas prometeu vingar a morte de um de seus líderes - Ayman Halaweh - num atentado armado por Israel na terça-feira. Os israelenses o acusavam de fabricar bombas Leia o especial

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