Israel marca posse de Obama com retirada

Autoridade Palestina convida Hamas para governo de união

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

20 de janeiro de 2009 | 00h00

Israel deve completar hoje, dia da posse do presidente eleito Barack Obama, a retirada de suas tropas da Faixa de Gaza. Com o cessar-fogo sendo respeitado pelos israelenses e pelo Hamas, o presidente da Autoridade Palestina e líder do Fatah, Mahmud Abbas, convidou o grupo islâmico para um governo de união nacional, mas ainda não obteve resposta formal.A desocupação israelense ocorre rapidamente, deixando para trás um território arrasado em mais de três semanas de bombardeios e duas de ataque terrestre, que deixaram cerca de 1.300 palestinos mortos e mais de 5 mil feridos. Moradores retornam para suas casas, muitas vezes destruídas. Corpos ainda são retirados dos escombros. O lixo está acumulado e o temor é o de que crianças sem querer detonem bombas que ainda não explodiram.Apesar de ter sido duramente golpeado no conflito, sem conseguir provocar estragos do lado israelense, o Hamas manteve uma posição belicosa um dia depois de decretar a trégua. "Podem fazer o quiser. Mas continuaremos fabricando nossas armas sagradas. Nós sabemos como e onde conseguir armamento", afirmou um porta-voz do grupo islâmico, acrescentando que a organização voltará a atacar se as tropas de Israel não saírem em até uma semana.Os israelenses afirmam que a retirada não está relacionada com as pressões do Hamas. Autoridades de segurança disseram que, apesar da desocupação, as forças de Israel responderão a ataques do grupo.No Kuwait, o presidente da Autoridade Palestina convidou o Hamas para formar um governo de coalizão. Caso o grupo aceite, a União Europeia deve levantar as sanções impostas ao grupo palestino, de acordo com uma rede de TV francesa, citando funcionários próximos ao presidente Nicolas Sarkozy. A organização islâmica não respondeu ao convite.O mandato de Abbas terminou na semana passada, mas foi prorrogado por mais um ano. O Hamas afirmou que não reconhece mais a autoridade do atual presidente. Abbas sugeriu que, com a formação de um governo de união nacional, eleições parlamentares e presidenciais poderiam ocorrer simultaneamente em janeiro do ano que vem. Analistas divergem sobre o enfraquecimento do Hamas após o conflito. Tampouco se sabe como está o apoio ao Fatah. A última pesquisa foi realizada em agosto, bem antes do atual conflito. O grupo de Abbas é considerado mais moderado e mantém diálogo com os israelenses.Durante a guerra em Gaza, a polícia da Cisjordânia, controlada pelo Fatah, chegou a coibir algumas manifestações em apoio ao Hamas. Em advertência a Israel, o rei Abdula, da Arábia Saudita, afirmou que a proposta de paz feita pelos países árabes não ficará na mesa para sempre. O plano de paz, apresentado pela primeira vez em 2002, exige que Israel se retire de todos os territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias, em 1967 - Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jerusalém Oriental e Colinas do Golan -, em troca do reconhecimento do país por todos os Estados árabes. BRASIL SAÚDA TRÉGUAEm Brasília, os chanceleres do Brasil, Celso Amorim, e da China, Yang Jiechi, saudaram em uma declaração conjunta o anúncio de cessar-fogo em Gaza e pediram respeito às resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

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