Israel mata 17 palestinos depois de emboscada a soldados

Soldados israelenses mataram 17palestinos, a maior parte deles civis, na Faixa de Gaza, nestaquarta-feira, depois de três militares de Israel terem morridoem uma emboscada realizada por combatentes do Hamas perto de umoleoduto localizado na fronteira. Entre os mortos, está umcinegrafista da Reuters. Apesar dos combates, os mais violentos ocorridos em mais deum mês, o Estado judaico permitiu que uma carga de combustívelpatrocinada pelos europeus chegasse à Faixa de Gaza a fim demanter em funcionamento a única usina de energia dessa regiãocontrolada pelo Hamas. "O combustível começou a fluir", disse uma autoridade daUnião Européia (UE), referindo-se ao terminal de Nahal Oz,perto do local dos combates em que morreram os três soldados. No total, 17 palestinos, ao menos 11 deles civis, forammortos em ataques independentes realizados de Israel, entre osquais bombardeios, disseram autoridades do Hamas e dirigentesde hospitais. Entre as vítimas haveria ainda três jovens, umhomem de 67 anos de idade e ao menos quatro membros do Hamas. Entre os mortos, também está Fadel Shana, 23, cinegrafistada Reuters atingido enquanto trabalhava. As imagens captadaspor sua câmera mostram um tanque israelense jogando uma bombaem sua direção, a várias centenas de metros de distância. Nahal Oz foi fechado por Israel no dia 9 de abril, depoisde militantes terem matado dois civis israelenses nainstalação. O Ministério da Defesa do Estado judaico disse quereabriria o oleoduto na quarta-feira, mas o ataque mais recentelevantou dúvidas sobre se a manobra se realizaria efetivamente. Kanan Abaid, vice-presidente da Autoridade Palestina daEnergia na Faixa de Gaza, disse, antes de o bombeamentocomeçar, que a usina de força tinha combustível para funcionarsomente até sábado. A usina fornece energia principalmente para os moradores daCidade de Gaza e de suas áreas próximas, onde moram cerca de800 mil pessoas. Um locaute dos proprietários de postos de gasolina da Faixade Gaza vem impedindo que os consumidores em geral tenhamacesso à limitada quantidade de gasolina e diesel enviada porIsrael. Autoridades israelenses acusam o Hamas de impedir adistribuição dos combustíveis a fim de gerar uma crise capaz defazer com que o Estado judaico suspenda um bloqueio tornadomais rígido após o grupo islâmico ter assumido o controle doterritório, em junho. Em uma declaração que deve enfurecer ainda mais Israel, oHamas disse que o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter, que deveviajar ainda na quarta-feira até o Egito, se reuniria no Cairocom dois dos líderes do movimento na Faixa de Gaza, Mahmoudal-Zahar e Saeed Seyam. "O senhor Carter requisitou o encontro para ouvir a opiniãodo Hamas a respeito da situação", afirmou Ayman Taha, umaautoridade do grupo islâmico. A delegação do ex-presidente não quis comentar o assunto. Dirigentes israelenses criticaram Carter por manter contatocom o Hamas, entidade que rejeita as exigências feitas peloOcidente para que reconheça Israel, renuncie ao uso da força eaceite os acordos de paz interinos já selados entre israelensese os palestinos. Carter, que deu início a sua visita ao Oriente Médio nodomingo, afirmou que seria contraprodutivo excluir totalmente oHamas das "conversas e ou das consultas." (Reportagem de Adam Entous, Nidal al-Mughrabi e AriRabinovitch)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.