Israel mata 20 em protesto nas Colinas do Golã

Manifestantes tentaram romper fronteira de região ocupada após a Guerra dos Seis Dias, em 1967

, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2011 | 00h00

DAMASCO

Tropas israelenses mataram ontem 20 manifestantes palestinos nas Colinas do Golã, território sírio ocupado por Israel após a Guerra dos Seis Dias, em 1967. O conflito começou quando a multidão correu em direção a uma cerca de proteção da fronteira.

O domingo marcou o 44.º aniversário da Guerra dos Seis Dias e Israel passou o dia em estado de alerta para evitar a repetição dos protestos palestinos registrados no mês passado, quando 13 pessoas foram mortas quando tropas israelenses tentaram barrar milhares de manifestantes que tentaram avançar em direção a suas fronteiras.

Tentando repetir a ação, os manifestantes haviam marcado para domingo um ato semelhante. No sábado, o protesto parecia ter perdido força depois que a comunidade palestina do Líbano cancelou sua participação por pressão americana.

Ontem, porém, a história se repetiu. Manifestantes na Síria tentaram cortar uma cerca de arame farpado próxima a um campo de minas, perto da cidade de Majdal Shams. Soldados israelense lançaram advertências em árabe para que os manifestantes parassem. Após alguns disparos para o alto, diante do avanço da multidão, dispararam contra aqueles que romperam a cerca.

O porta-voz militar de Israel, o general Yoav Mordechai, confirmou que as tropas abriram fogo contra os palestinos, mas disse que não poderia confirmar o número de vítimas.

Mordechai, no entanto, afirmou que os soldados israelenses impediram a violação da fronteira e, mesmo se o número de mortos divulgado fosse verdadeiro, a resposta teria sido "apropriada".

À noite, a tensão voltou à região, quando manifestantes drusos, alguns com bandeiras palestinas e sírias, atiraram pedras contra alguns veículos blindados posicionados ao longo da fronteira do território ocupado por Israel.

O governo israelense acusou a Síria de incentivar as manifestações nas Colinas do Golã para desviar a atenção da imprensa internacional da crise política vivida pelo regime do presidente sírio Bashar Assad. Cerca de mil pessoas já morreram desde o início dos protestos contra o governo, em março.

Repressão. No fim de semana, pelo menos 38 dissidentes morreram na região de Jisr al-Chughur, no noroeste da Síria. De acordo com o grupo Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede em Londres, elas foram assassinadas pelas forças de segurança de Assad. / REUTERS e AP

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