Israel mata cinco palestinos em invasões em Gaza

Soldados e tanques israelenses em busca de militantes invadiram hoje áreas palestinas nos extremos norte e sul da Faixa de Gaza. Cinco palestinos foram mortos, mais de 12, feridos e pelo menos 10 foram presos na aldeia de Beit Hanoun, norte de Gaza. Outro palestino foi morto por soldados israelenses em Rafah, sul de Gaza, quando, segundo um porta-voz de Israel, ele tentava se infiltrar, armado com granadas, em uma colônia judaica.Entre os mortos em Beit Hanoun, estão um menino de 12 anos, um adolescente de 16 anos, e um policial palestino, morto a tiros dentro de sua viatura. As operações de hoje foram similares a uma série de incursões realizadas por Israel na sexta-feira na Cisjordânia e Gaza, nas quais 8 palestinos foram mortos e pelo menos 50 presos.Um porta-voz militar israelense disse hoje, para justificar a ocupação de Beit Hanoun, onde foi decretado o toque de recolher, que a aldeia "é um bastião do movimento islâmico Hamas e aqui foram planejados vários ataques, até mesmo com disparos de morteiros, contra colônias judaicas e a Passagem de Erez".As incursões israelenses ocorreram em meio a violentos combates nas várias localidades palestinas. Em Beit Hanoun, centenas de manifestantes palestinos jogavam pedras contra os mais de 15 tanques israelenses acompanhados por veículos blindados. As forças israelenses disseram que seus efetivos foram atacados com tiros e responderam aos disparos.Buldôzeres de Israel demoliram várias casas, incluindo uma pertencente ao fundador do grupo militante Hamas, Salha Shahed. Testemunhas disseram que ele não estava na casa. Também foram demolidos vários postos da polícia e do serviço de inteligência palestina, além do QG do movimento Fatah, de Yasser Arafat.O líder palestino, que se encontra bloqueado desde o dia 3 pelo Exército de Israel em Ramallah, na Cisjordânia, pretende fazer um pronunciamento amanhã sobre a situação atual. Na quinta-feira, Israel rompeu todos os contatos com Arafat, apesar de os Estados Unidos e a União Européia indicarem que ainda o consideram o interlocutor palestino para as negociações de paz.Em Nova York, os EUA vetaram hoje uma resolução de origem palestina apresentada perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas pois, a seu entender, o texto não levava em consideração os recentes atentados contra Israel. A resolução condenava "todos os atos de terror" como o "uso excessivo da força" no conflito israelense-palestino e "respaldava" o estabelecimento de um "mecanismo de vigilância" para ajudar a conter a violência.O presidente egípcio, Hosni Mubarak, manteve hoje um encontro no Cairo com os dois principais enviados dos EUA para o Oriente Médio, o general Anthony Zinni e o assistente do Departamento de Estado William Burns. Os dois americanos não fizeram nenhuma declaração após o encontro, mas Mubarak pediu a intervenção americana para conter o conflito.

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