Israel mata líder do Hamas; ataque destrói prédio da ONU

No dia do mais duro golpe à cúpula do grupo, israelenses são criticados por incendiar depósito

Gustavo Chacra, JERUSALEM, O Estadao de S.Paulo

16 de janeiro de 2009 | 00h00

Num único dia, Israel disparou ontem contra um depósito da ONU com toneladas de alimentos na Faixa de Gaza e desfechou, num ataque aéreo, o mais duro golpe contra a liderança do Hamas, matando seu "ministro do Interior" no território. Confira a linha do tempo multimídia dos ataques na Faixa de Gaza O ataque à instalação da ONU provocou duros protestos do secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, que visita região para tentar encontrar uma saída diplomática para o conflito que já deixou cerca de 1.100 palestinos e 13 israelenses mortos.Na ação contra os líderes do Hamas, forças de Israel mataram Said Siam, considerado o "número 3" do grupo islâmico, e toda a família do irmão dele. Siam era o responsável por milhares de agentes de segurança do grupo palestino, segundo informou a rede de TV da organização. Analistas o consideravam a ligação entre as alas política e militar do Hamas .O irmão de Siam, dono da casa atingida e também autoridade de segurança do Hamas, está entre os mortos. Segundo fontes palestinas, o ataque também causou a morte de um número indeterminado dos civis.AJUDA INCENDIADATodos os alimentos no armazém da ONU foram destruídos. A ajuda seria distribuída entre grande parte do 1,5 milhão de habitantes do território palestino que enfrenta uma crise humanitária desde o início do conflito, dia 27. Bombeiros lutavam para apagar o incêndio que destruiu o prédio.Ban Ki-moon afirmou que estava escandalizado e exigiu explicações do ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, e da chanceler Tzipi Livni. Para Ban, "o número de vítimas tem alcançado proporções insuportáveis" em Gaza. A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, telefonou para autoridades israelenses após o ataque e expressou "profunda preocupação'' com a situação humanitária no território palestino. A União Europeia qualificou a operação como "simplesmente inaceitável". O chanceler brasileiro, Celso Amorim, condenou o bombardeio de Israel contra o armazém da ONU e pediu uma mobilização da comunidade internacional para que a resolução do Conselho de Segurança da ONU - que pede um cessar-fogo imediato - seja cumprida. Após ser informado do episódio, Barak disse que o ataque foi um "grave" erro. Já o premiê Ehud Olmert argumentou que militantes do Hamas usaram o depósito da ONU para disparar contra forças israelenses. Três pessoas ficaram feridas na ação de Israel. "A verdade é que nós fomos atacados daquele local, mas as consequências são muito tristes e nós pedimos desculpas", disse o premiê.Israel já havia disparado contra escolas da ONU no atual conflito matando mais de 40 pessoas. Um caminhão que levava ajuda humanitária também já foi atingido. John Ging, diretor de Agência da ONU para Refugiados em Gaza, criticou o ataque e acrescentou que centenas de pessoas que se abrigavam no prédio foram obrigadas a retirar-se. A ONU afirmou ainda que os israelenses usaram bombas de fósforo que é incendiária e causa graves ferimentos. Após o bombardeio, o fogo espalhou-se por tanques de combustível provocando explosões secundárias.Uma convenção internacional de 1983 proíbe o uso de armas incendiárias contra civis. "O principal depósito foi muito danificado pelo que aparentava ser bombas de fósforo branco", disse John Holmes, chefe de assuntos humanitários da ONU. Disparos israelenses também atingiram um hospital, cinco edifícios residenciais e um escritório de imprensa nos arredores da Cidade de Gaza, ferindo alguns jornalistas. Não se sabe o motivo do ataque, já que Israel sabia da localização de todos os órgão de imprensa no território palestino.

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