Lefteris Pitarakis/AP
Lefteris Pitarakis/AP

Israel mata quatro em ataque a barco palestino na costa de Gaza

Segundo Marinha, embarcação levava militantes armados preparando-se para ação terrorista

BBC Brasil, BBC

07 de junho de 2010 | 05h18

JERUSALÉM - A Marinha abriu fogo contra um barco palestino na costa de Gaza  na madrugada desta segunda-feira, 7, matando quatro pessoas, informou a rádio oficial de Israel. As Forças Armadas do país disseram que o barco levava militantes armados, em roupas de mergulho, preparando-se para atacar Israel.

 

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O Fatah, partido palestino que controla a Cisjordânia, disse que os corpos seriam de integrantes de seu braço militar e que um quinto integrante ainda está desaparecido. O Hamas, movimento islâmico palestino que controla a Faixa de Gaza, confirmou o incidente, acrescentando que retirou quatro corpos do mar.

Segundo o jornal israelense Ha'aretz, o incidente seria o último de uma série de ataques recentes de grupos armados palestinos contra Israel. O país estabeleceu um bloqueio ao território palestino em junho de 2007, após o Hamas ter assumido o controle sobre a Faixa de Gaza.

Na semana passada, as Forças Armadas do país atacaram uma frota de barcos que carregava centenas de ativistas pró-Palestina, e tinha como missão levar ajuda humanitária para Gaza. Israel disse que os barcos tinham finalidades terroristas. Nove pessoas morreram na operação.

Novas fotos

No domingo, uma organização não-governamental turca, IHH, divulgou fotos do ataque ao barco em que ocorreu a ação que levou à morte dos nove ativistas, o Mavi Marmara, de bandeira turca.

A ONG diz que as imagens mostram os ativistas sendo condescendentes e prestando primeiros socorros aos soldados israelenses feridos durante a operação. Israel alega que as imagens apenas comprovam a versão israelense de que seus soldados agiram em legítima defesa ao serem atacados pelos ativistas.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, deve prestar uma homenagem aos mortos - oito turcos e um portador do passaporte americano criado na Turquia - em uma visita a Istambul, onde participa nesta segunda-feira de um encontro sobre segurança regional.

No domingo, o embaixador israelense nos Estados EUA, Michael Oren, disse que seu país não pedirá desculpas à Turquia pela morte dos nove ativistas. "Israel não pedirá perdão por ter tomado as medidas necessárias para defender seus cidadãos e não se desculpará por ter feito o que foi preciso para defender as vidas de nossos soldados", afirmou Oren à rede de TV americana Fox News.

Inquérito internacional

Oren disse ainda que Israel rejeita a proposta de um inquérito internacional sobre a operação. Rejeitamos uma comissão internacional", disse ele à Fox. "Israel tem a capacidade e o direito de se auto-investigar e não de ser investigado por qualquer comissão internacional."

A proposta de uma investigação envolvendo outros países foi discutida em um telefonema na manhã deste domingo entre o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o premiê de Israel, Binyamyn Netanyahu. Pelo plano, a comissão incluiria representantes dos EUA, Turquia e Israel, que reportariam suas conclusões ao primeiro-ministro da Nova Zelândia.

No domingo, os ministros do Exterior de França e Reino Unido pediram a Israel que aceite no mínimo uma "presença internacional" na investigação do incidente. "Acreditamos que deve haver no mínimo uma presença internacional na investigação", disse o ministro britânico, William Hague.

Já o ministro francês, Bernard Kouchner, sugeriu que a União Europeia adote um papel mais importante na provisão de ajuda humanitária para Gaza e na restrição à entrada de armas no território. "A União Europeia deve participar mais, politicamente e concretamente, do que já faz - e já o faz bastante", disse Kouchner.

 

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