Israel monitora armas químicas e estuda ação

A instabilidade na Síria e a crescente fragilidade do regime de Bashar Assad vêm aumentando a tensão regional em torno do futuro do país. Ontem, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que suas Forças Armadas podem ser acionadas em caso de colapso do regime para deter uma eventual transferência de armas químicas para o Hezbollah, no Líbano.

BEIRUTE, / A.N., O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2012 | 03h04

As declarações foram feitas em entrevista à rede de TV americana Fox News e ecoam a preocupação regional com o futuro da Síria pós-Assad. Segundo Netanyahu, o conflito no país vizinho pode resultar em um desmoronamento do Estado. "A necessidade de ação pode crescer se houver um colapso do regime", disse, demonstrando uma preocupação específica: "Não queremos ficar expostos a que armas químicas parem nas mãos do Hezbollah ou de algum outro grupo terrorista".

O ministro da Defesa, Ehud Barak, advertiu que Israel vem monitorando o destino dessas armas. "Estamos observando a possibilidade de que o Hezbollah tenha a oportunidade de transferir armamento", disse.

A preocupação cresceu no final de semana, quando o general sírio Mustafa Sheikh afirmou que Assad poderia decidir pelo deslocamento de armas químicas para aliados no Líbano, ou utilizá-las contra a insurreição. "Querem queimar o país. O regime não vai cair sem cometer um banho de sangue", sustentou.

Segundo o jornal Haaretz, o governo de Israel formalizou um protesto na ONU denunciando uma suposta intrusão de forças sírias na zona desmilitarizada das Colinas de Golan. Ao todo, 500 soldados teriam ultrapassado o limite estabelecido em 1974. Pelo acordo, uma faixa de terra supervisionada pela ONU não pode ser ocupada por forças armadas dos dois países.

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