Israel não abrandou bloqueio opressão a Gaza já violava trégua

Embora muitos acreditem que a violência em Gaza começou em 27 de dezembro, a verdade é que palestinos vêm morrendo por bombardeios há mais tempo. Em 4 de novembro, com a trégua ainda em vigor, mas as atenções mundiais voltadas para a eleição americana, Israel lançou um ataque aéreo "preventivo" em Gaza, alegando uma suposta operação para capturar seus soldados. A trégua foi, portanto, violada, acabando com qualquer incentivo para os líderes palestinos aplicarem a moratória ao lançamento de foguetes. Qualquer extensão do acordo àquela altura requeria que Israel negociasse com nosso movimento - uma impossibilidade política para Israel algumas semanas antes de suas eleições.Não que a trégua tenha sido fácil para os palestinos. Nos seis meses que precederam os bombardeios, um israelense foi morto, enquanto dezenas de palestinos foram mortos em ações policias e militares israelenses. A guerra em Gaza não deve ser confundida com um triunfo israelense. Na verdade, a incapacidade de Israel de fazer a trégua funcionar demonstra que ele não permitirá um futuro construído com base na autodeterminação política dos palestinos. A trégua fracassou porque Israel não abrirá as fronteiras de Gaza, porque Israel seria antes um carcereiro que um vizinho e sua liderança intransigente monopoliza nosso destino.A guerra atual não é um ataque ao nosso movimento, mas uma agressão que tem como alvo o povo, a infraestrutura e a vida econômica de Gaza, planejada para semear o terror e propagar a anarquia. Ela pretende estabelecer novos "fatos consumados" antes da posse do novo governo americano. Israel alega que não tinha outra escolha senão despejar a morte nos campos de refugiados, enquanto o ministro da Defesa, Ehud Barak, de olho na eleição de fevereiro, emprega o assassinato em massa como o último apelo político.Mas é evidente que havia opções. Israel poderia ter abrandado há meses sua determinação criminosa de matar Gaza de fome, cortando a maior parte de seu combustível, sufocando o comércio e impedindo organizações humanitárias de entregar alimentos e remédios. Somente o observador mais cínico chamaria tal opressão de adesão de "boa-fé" à trégua. Os renovados apelos para nosso movimento "reconhecer o direito à existência de Israel" soam vazios diante dos massacres e alegações de Israel de que está agindo em "defesa própria" ao bombardear civis. Por amarga experiência, quando ouvimos pedidos pelo "reconhecimento" como precondição para o diálogo, o que ouvimos é um apelo pela complacência com os crimes contra nós.Os palestinos veem com alívio o fim da era Bush. Mas impera o ceticismo de que a justiça chegará de um novo presidente que permaneceu num silêncio nefasto ante o massacre israelense. Com centenas de mortos e milhares de feridos, todos vítimas da generosidade dos contribuintes americanos, os palestinos se perguntam como Barack Obama reagirá. Eles pedem um novo paradigma de responsabilidade e respeito, porque quando veem um F-16 com a Estrela de Davi, veem os EUA.Nenhum líder americano jamais visitou algum campo de refugiados palestinos, um fato espantoso considerando-se o papel central que os EUA têm ocupado na narrativa de nosso povo. Na observância da tradição de hospitalidade árabe, e antecipando o dia em que um presidente americano cumprirá a promessa de mudança, refazemos o convite e colocamos a chaleira para esquentar.* Mussa Abu Marzouk é porta-voz do Hamas

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