Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

'Israel não entendeu nossa mensagem de paz', diz embaixador palestino

Para Ibrahim Alzeben, não cabe a israelenses decidir se Estado palestino deve ser reconhecido

José Gabriel Navarro, especial para o estadão.com.br

23 Setembro 2011 | 21h16

Texto corrigido no dia 26/9 às 11h38

 

SÃO PAULO - O embaixador palestino no Brasil, Ibrahim Alzeben, acredita que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, "não entendeu a mensagem" pronunciada pelo presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira, 23. Em seu discurso, Abbas apresentou, entre outros itens, um pedido formal de reconhecimento do Estado palestino perante a ONU.

 

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"Ficaram muito claras não só a proposta de paz como a proposta do povo da Palestina de conquistar seus direitos", disse Alzeben ao estadão.com.br. "Não perdemos a esperança de um processo de paz sério. A posição de Israel, essa arrogância, não corresponde ao momento vivido internacionalmente. Esperamos que o Conselho de Segurança da ONU acorde, porque este é o momento de acordar para criar a paz e dar a nossas crianças um futuro melhor. Não somos contra a negociação nem contra o diálogo", disse.

 

As resoluções do Conselho precisam de nove votos do grupo formado por 15 nações para serem aprovadas. Mas os Estados Unidos, um dos cinco membros permanentes com direito a veto, já anunciaram que devem barrar a medida. O primeiro-ministro israelense afirmou, também em discurso no evento da ONU, que o Estado palestino deve se legitimar sem recorrer às Nações Unidas.

 

"Parece que ele não entendeu a mensagem. A criação do Estado palestino não é uma decisão que cabe a Israel. É uma vontade internacional. Israel e os EUA não são a vontade internacional. É como se o resto do mundo não existisse", afirmou Alzeben. "O que depende de Israel e dos EUA é a questão territorial a ser negociada, as futuras cooperações econômicas, que temos de negociar urgentemente, sem dúvida".

 

O embaixador também reclamou a importância das fronteiras existentes antes de 1967 - ou seja, incluindo Jerusalém oriental e a Faixa de Gaza, territórios que Israel ocupou na Guerra dos Seis Dias, em junho daquele ano. "Temos que aguardar outros 44 anos para que Israel decida que sim (a favor da Palestina conforme as antigas fronteiras)? Definitivamente não dependemos disso, nem nossa independência depende de Israel. O premiê também não entendeu que o povo de Israel precisa de paz. Ele não pode continuar levando seu povo a matar e morrer nos conflitos. Chega. É uma necessidade deles também", disse Alzeben.

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