Israel não pode "apagar Beirute do mapa", diz comissário da UE

O comissário de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária da União Européia (UE), o belga Louis Michel, censurouhoje a desproporção da ofensiva israelense no Líbano, e ressaltou que, apesar de seu "legítimo direito" à defesa, Israel não pode "apagar Beirute do mapa". "Israel tem o direito intangível de se defender, à legítima defesa, mas isso não lhe dá o direito de apagar Beirute do mapa, destruir sua infra-estrutura e aceitar efeitos colaterais dramáticos como os vistos em Qana e em outras partes", afirmou Michel, em entrevista à rádio pública belga "RTBF". "Li uma pesquisa que me preocupou. Ela indica que o povo israelense acredita poder ir até o final nesta operação. Isso significa que as reações que estamos fazendo não chegam até eles", lamentou. Michel disse que o Hezbollah, organização extremista xiita cuja milícia luta contra as forças israelenses no sul do Líbano, "é um movimento que indiscutivelmente comete ações terroristas". "(Mas) Israel é uma democracia (...), e de uma democracia espera-se que respeite o direito internacional humanitário, que temcomo um de seus princípios fundamentais a proporcionalidade, que raramente está sendo aplicada neste caso", acrescentou o ex-ministrode Exteriores belga. Michel disse também que "a opção militar escolhida por Israel há anos só levou ao aumento da violência e a menos segurança", e defendeu que somente "o diálogo e a negociação levará à segurança e a uma solução para o conflito". Os ministros de Exteriores da UE reivindicaram ontem às partes o "fim imediato das hostilidades", devido as reservas do Reino Unido e da Alemanha, entre outros. Os ministros dos outros países "cessar-fogo imediato". Michel considerou que a declaração comum é suficientemente "clara", e elogiou a atuação do alto representante para a Política Externa da União Européia, Javier Solana, mas defendeu, em termosgerais, uma maior integração da diplomacia européia. "Se a Europa é politicamente fraca, isso se deve a certos Estados-membros da UE, que ainda não entenderam que a influência da Europa em prol de um mundo melhor requer uma maior integraçãoeuropéia", afirmou.

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