''Israel não pode viver em uma realidade hostil'', diz Amorim

Segundo chanceler,Brasil defende aplicação de resolução da ONU para evitar que mais civis morram nos bombardeios

Gustavo Chacra, Ramallah, Cisjordânia, O Estadao de S.Paulo

13 de janeiro de 2009 | 00h00

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, deixou claro que o Brasil defende a aplicação imediata da Resolução 1.860 do Conselho de Segurança da ONU. A afirmação foi feita em entrevista coletiva em Jerusalém, horas após o chanceler se reunir com o premiê palestino, Salam Fayad, em Ramallah, Cisjordânia.Em uma missão diplomática que busca aumentar o peso do Brasil em questões de política internacional para além da América Latina, Amorim afirmou que é necessário um cessar-fogo urgente para evitar que civis continuem morrendo nos bombardeios israelenses. "Precisamos demonstrar solidariedade para com os palestinos[DE GAZA], que são os que mais têm sofrido", afirmou, para acrescentar que isso é um consenso entre grande parte da comunidade internacional."Israel tem percebido a pressão internacional", afirmou o ministro. Segundo ele, até mesmo os EUA não vetaram a resolução na ONU, o que deixa claro um desconforto americano com as ações israelenses em Gaza. Na avaliação do chanceler, no longo prazo, Israel não pode viver em uma realidade hostil e, por esse motivo, deve lutar pela paz.O encontro com Fayad ocorreu um dia após Amorim se reunir com o presidente sírio, Bashar Assad, em Damasco, e com a chanceler israelense, Tzipi Livni, em Jerusalém. Ele não se reuniu com o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmud Abbas, pois este viajou para Jordânia, próximo destino do chanceler brasileiro, antes de ir para o Egito. Segundo Amorim, ele disse a Tzipi que a ação de Israel está enfraquecendo a AP, que é controlada pelo Fatah, rival do Hamas. A chanceler israelense perguntou ao ministro, segundo ele próprio afirmou, sobre a nota do PT que compara as ações de Israel em Gaza ao nazismo. Amorim disse que esta não é a opinião oficial do governo do Brasil. Uma manifestação de brasileiros que vivem em Israel foi realizada ontem diante da Embaixada do Brasil em Tel-Aviv para protestar contra a declaração petista.Questionado pelo Estado se o governo brasileiro está disposto a dialogar com o Hamas e o grupo xiita libanês Hezbollah, ele disse que a coisa não é tão simples e lembrou que organizações também precisam respeitar o direito internacional.

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