Israel não seguirá plano de paz internacional, diz Sharon

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, admitiu numa entrevista que seu governo não pretende cumprir o roteiro para a paz - um plano internacional apoiado pelos Estados Unidos e que inicialmente foi acatado por israelenses e palestinos, mas que não chegou a ser implementado por nenhuma das partes. Sharon comentou ainda que não deverá haver mais nenhuma retirada de tropas depois que Israel cumprir seu plano unilateral de "desligamento" dos palestinos, que prevê o desmantelamento das 21 colônias judaicas na Faixa de Gaza e de quatro pequenos assentamentos na Cisjordânia, em 2005. "É muito possível que, depois da retirada, haja um longo período no qual nada mais acontecerá", afirmou o primeiro-ministro em entrevista publicada hoje pelo jornal Yediot Ahronot ao comentar seu plano unilateral de retirada. Questionado sobre se previa décadas de paralisação nas perspectivas de paz para a região, respondeu: "É impossível dizer." Entretanto, Sharon garantiu que, enquanto não houver mudanças significativas na cúpula da Autoridade Nacional Palestina, "Israel continuará sua guerra ao terrorismo e continuará nos territórios que manterá depois da implementação do desligamento", referindo-se à maior parte da Cisjordânia ocupada. O roteiro para a paz, lançado formalmente no ano passado, previa a criação de um Estado palestino soberano e independente até 2005. O projeto foi elaborado por EUA, Rússia, União Européia (UE) e ONU.

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