Israel não tem pressa para cessar-fogo, diz Olmert

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, afirmou neste domingo ao começar a reunião semanal do Governo, que Israel "não tem pressa para chegar a um cessar-fogo antes de conseguir seus objetivos" na batalha com a milícia do Hezbollah."O processo político deve amadurecer e deve haver um acordo claro sobre as forças que garantirão a segurança nas zonas de onde espreita o perigo para Israel", disse o premier, em alusão à instalação de uma força multinacional na fronteira com o Líbano.Olmert formulou suas declarações após uma reunião na noite de sábado a sós com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, sobre as possibilidades de conseguir um cessar-fogo "com conteúdo", isto é, que inclua a devolução de dois soldados israelenses em poder do Hezbollah e o afastamento da milícia da fronteira.Por sua parte, o ministro da Defesa do Estado de Israel, Amir Peretz, expressou a Rice, com quem se reuniu na manhã deste domingo, que "na batalha com o Hezbollah, Israel tem a impressão de estar combatendo uma força de vanguarda do Irã", segundo afirmaram fontes israelenses.Os milicianos fundamentalistas libaneses "possuem mais mísseis que muitos exércitos do mundo", disse Peretz, líder trabalhista.Rice tem prevista a conclusão de sua visita, a segunda em menos de uma semana, em uma reunião com a ministra de Assuntos Exteriores, Tzipi Livni, que também receberá em seu escritório de Jerusalém o seu colega da Itália, Massimo D´Alema.No centro das conversas estará a suspensão das hostilidades entre Israel e a milícia libanesa, cujo líder, Hassan Nasrallah, segundo políticos do Partido de Deus, também estaria disposto a um cessar-fogo e à instalação de uma força multinacional como Israel, mas segundo suas próprias condições. Expansão da guerraO ministro de Assuntos Exteriores francês, Philippe Douste-Blazy, advertiu sobre o risco da extensão do conflito entre Líbano e Israel e considerou que "um acordo político" seja a única saída na atual situação.Douste-Blazy lembrou que o "Hamas nos territórios palestinos e o Hezbollah no Líbano obtêm sua popularidade do sentimento de injustiça vivido pela população da região, que está em uma situação de grande pobreza"."O acordo que será buscado deve comportar um afastamento econômico com a implementação de um sistema educativo e público de sanidade. Os países ocidentais têm de ter um papel. Mas os países do Golfo, que são igualmente ricos, devem estar associados".O ministro francês disse "perceber uma radicalização crescente das opiniões de um e outro lado, com o risco a médio prazo de um confronto de culturas e de civilizações que poderia desestabilizar muito além da região".Além disso, Douste-Blazy admitiu que "se transforma em um conflito entre um mundo muçulmano que teria a impressão de ser humilhado por um Ocidente dominador", o que poderia ter repercussões nos bairros da França onde há uma grande população de origem árabe e muçulmana.O ministro francês rejeita a implementação de uma força internacional de interposição antes de um cessar-fogo, já que "haveria um risco de escalada que não se pode permitir".Papa pede cessar-fogoO Papa Bento XVI apelou neste domingo por um cessar-fogo imediato no Oriente Médio. "Em nome de Deus, eu apelo para todos aqueles responsáveis por essa violência que eles abaixem imediatamente suas armas em todos os lados", disse o Papa em sua residência de verão. Bento XVI enfatizou a palavra "imediatamente".

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