Israel nega mudanças no "muro de segurança" em Jerusalém

A Corte Suprema de Israel rejeitou, nesta quarta-feira, uma ação que reivindicava mudanças no traçado do "muro de segurança" construído ao norte de Jerusalém, na zona da localidade de A-Ram, na qual estão isolados 58 mil palestinos que vivem nesta cidade.Entre os palestinos isolados em A-Ram, dos quais muitos trabalham em Jerusalém, há cidadãos que são considerados moradores de Israel, segundo o jornal Jerusalem Post.O juiz Aharon Barak, que preside o tribunal - formado por nove magistrados -, considerou que o Estado israelense tem o direito de determinar o traçado da barreira, já que o território em questão, segundo a legislação vigente no país, pertenceria a Israel.O muro é considerado ilegal pela Corte Internacional de Justiça de Haia, da ONU, e a ação foi apresentada pela Associação pelos Direitos Civis em Israel, pela organização de defesa dos direitos humanos Bimkom e por vários habitantes de A-Ram.Os protestos se devem ao fato de que um trecho de 2,5 quilômetros da barreira, que tem painéis de cimento e seis metros de altura, dificulta o acesso de grande parte dos moradores da localidade palestina da Cisjordânia até Jerusalém, onde trabalham ou estudam.No entanto, o fato de residir na "capital de Israel" confere uma série de vantagens aos seus habitantes, às quais os palestinos da Cisjordânia ocupada não têm direito, como, por exemplo, o acesso aos serviços médicos e a permissão para circular em seus carros sem restrições.Após a guerra de 1967, Israel anexou o setor oriental de Jerusalém e a proclamou "capital eterna e indivisível", embora um terço de seus habitantes fossem palestinos. Em 1980, o Estado israelense decretou uma lei na qual oficializou a posse da cidade.Na época, as autoridades ofereceram aos moradores palestinos - que somavam cerca de 230 mil - a possibilidade de adquirir a cidadania israelense, mas a grande maioria rejeitou.Lei da IntifadaNa terça-feira, o mesmo tribunal fez uma emenda na "Lei da Intifada", que eximia o Estado de indenizar civis não combatentes em "zonas de combate", segundo a definição do Ministério da Defesa israelense.Segundo especialistas, a supressão dessa cláusula fará com que centenas de palestinos que não participaram dos atos de violência e que foram lesados devido aos combates processem o Estado.Os juízes, por outro lado, mantiveram outra cláusula determinando que o Estado não é obrigado a indenizar cidadãos de um país inimigo ou terroristas que sofreram danos causados em atos de guerra desde 28 de setembro de 2000, quando teve início a "Intifada de Al-Aqsa" contra a ocupação israelense na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

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