Israel nega ter aceitado Estado palestino nas fronteiras de 1967

Líderes palestinos se reunirão com secretário de Estado dos EUA, John Kerry, no dia 5, para discutir cessar-fogo

RAMALLAH, CISJORDÂNIA, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2014 | 02h01

Em entrevista a um canal de TV, o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, disse ontem que Israel precisa definir suas fronteiras e criticou o Hamas por manter um governo paralelo na Faixa de Gaza. De acordo com a agência de notícias Maan, Abbas afirmou que o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, teria concordado com o estabelecimento de um Estado palestino nas fronteiras anteriores a 1967 e "as únicas coisas que faltariam negociar seriam os limites exatos".

O gabinete do premiê logo desmentiu que Netanyahu tivesse concordado com um Estado palestino, muito menos com as fronteiras pré-1967. "Não houve nada disso", teria respondido o governo, segundo o jornal israelense Haaretz. Abbas e seu colega israelense reuniram-se secretamente na Jordânia antes da assinatura do cessar-fogo permanente na Faixa de Gaza em vigor desde terça-feira, segundo relatos de um jornal jordaniano.

"Não vamos mais entrar em discussões sobre a área A, B ou C", disse Abbas na entrevista. "Precisamos que cada Estado determine suas fronteiras. Israel é o único Estado no mundo sem limites conhecidos."

O presidente da AP acrescentou que o negociador-chefe, Saeb Erekat, e o chefe de inteligência, Majid Farraj, se encontrarão com o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, na próxima semana, para discutir a continuidade das negociações entre Israel e palestinos.

De acordo com fontes israelenses, o gabinete de ministros de Israel reuniu-se ontem para debater esse e outros assuntos, em especial o cessar-fogo que pôs fim a 50 dias de confrontos nos quais morreram mais de 2.100 palestinos, na maioria civis, além de 64 militares israelenses e 5 civis.

Líderes palestinos anunciaram ontem a intenção de apresentar no dia 15 uma proposta ao Conselho de Segurança da ONU para que se estabeleça uma data marcando o fim da ocupação israelense e a declaração de um Estado palestino, de acordo com fontes da AP.

Segundo a agência EFE, o presidente palestino trabalha agora na estratégia para apresentar a proposta, que pode incluir uma conferência internacional ou a ajuda da Jordânia. O tema também será analisado na reunião da Liga Árabe, composta por 22 países, no dia 5. "Se a solicitação for rejeitada, a Organização de Libertação da Palestina (OLP) levará o caso ao Tribunal Penal Internacional, pedindo que o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Moshe Yaalon, sejam considerados responsáveis pela devastação da Faixa de Gaza", disse Nabil Shaat, membro do Fatah, principal facção da OLP. / EFE

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