Amir Cohen / Reuters
Amir Cohen / Reuters

Netanyahu pedirá ao Parlamento imunidade contra acusações de corrupção

Premiê tenta adiar julgamento de três casos de corrupção, em uma manobra incomum, que pode ter repercussão na eleição marcada para 2 de março

Redação, Estadao Conteudo

01 de janeiro de 2020 | 15h38

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, surpreendeu nesta quarta-feira, 1, ao afirmar que buscará imunidade parlamentar contra acusações em três casos de corrupção. A medida pode adiar os procedimentos legais contra ele por meses. 

Netanyahu foi denunciado em novembro, sob acusações de receber propina, participar de fraude e violar confiança. Um dos processos afirma que ele e sua mulher aceitaram mais de US$ 260 mil em artigos de luxo, em troca de favores políticos. Outro aponta sua pressão sobre legisladores para aprovar projetos, em troca de cobertura favorável de alguns veículos de imprensa. Ele diz que é vítima de uma caça às bruxas de meios de comunicação e da esquerda. 

Netanyahu anunciou o pedido em um discurso ao vivo na televisão, apenas quatro horas antes de expirar o prazo para fazê-lo. Ele disse que as acusações contra ele tinham motivação política. Netanyahu afirmou em seu pronunciamento que não procura fugir dos processos, mas sim conseguir uma imunidade provisória que duraria pelo próximo mandato parlamentar. 

O vice-presidente do Instituto para Democracia de Israel, Yuval Shany, disse que o premiê terá dificuldades para levar a jogada adiante. Mesmo se for aprovado pelo Parlamento – primeiro por uma comissão e depois pelo plenário – o pedido pode ser derrubado pela Suprema Corte.

Em meio a um profundo impasse político, parece improvável que o Parlamento decida sobre o assunto antes da eleição de 2 de março. Netanyahu precisará do apoio de 61 dos 120 parlamentares para receber imunidade, a mesma maioria que escapou dele nas tentativas de formar um governo após votações nacionais em abril e setembro do ano passado.

Para complicar ainda mais o processo, não foi definido se um candidato a primeiro-ministro que enfrenta acusação criminal tem permissão legal para formar um governo, mesmo que ele consiga o apoio necessário. Na terça-feira, a Suprema Corte ouviu uma petição legal sobre o assunto e decidiu que não formaria opinião, passando a pergunta ao presidente de Israel. / REUTERS e W. POST

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