Israel ocupa cidade palestina e impõe toque de recolher

O Exército de Israel ocupou hoje uma cidade autônoma palestina integralmente, pela primeira vez em 16 meses de intifada, impôs o toque de recolher - proibindo os moradores de sair de casa -, revistou residências e prendeu mais de 20 pessoas que os militares israelenses acusam de envolvimento em atentados. Durante a ocupação de Tulkarem, às 3 horas da madrugada de hoje, palestinos de um campo de refugiados reagiram disparando contra as tropas e tanques israelenses. Três palestinos morreram e 14 ficaram feridos - um deles em estado grave, segundo médicos locais. O governador de Tulkarem, Izzedine Sharif, exortou a população a desafiar o toque de recolher e resistir à ocupação, em chamados por meio dos alto-falantes das mesquitas. "Eles cruzaram todas as linhas vermelhas. Nosso povo não pode ficar com os olhos fechados diante dessas agressões. E a prova disso é a forte e firmeza de nosso povo em Tulkarem", afirmou o presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, reiterando seu compromisso de lutar por um Estado com capital em Jerusalém Oriental (a parte árabe da cidade). "Mesmo que isso custe a minha vida", disse a jornalistas, em seu escritório em Ramallah. A AP pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU e pretende voltar a pedir o envio de observadores internacionais à região. Essa medida já foi rejeitada várias vezes pelo conselho, no qual os EUA, aliados de Israel, têm poder de veto. Detenção - O enviado da União Européia (UE) ao Oriente Médio, Miguel Moratinos, fez uma visita hoje de solidariedade a Arafat e à AP - que está confinado em Ramallah desde dezembro - e exigiu a imediata retirada das tropas de Israel de Tulkarem. "A ocupação de Tulkarem não ajuda a criar o ambiente necessário (para a aplicação de um cessar-fogo)", comentou Moratinos, que amanhã se reunirá com o chanceler israelense, Shimon Peres. Os militares ocuparam oito edifícios, incluindo um colégio e a residência de Sharif, e foram de casa em casa em busca de suspeitos de pertencer às Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, grupo radical vinculado à Fatah, principal facção da Organização de Libertação da Palestina (OLP). As brigadas assumiram a autoria do atentado que matou seis pessoas e deixou 33 feridas em Hadera, no centro de Israel, na semana passada. A tomada de Tulkarem - onde residia o extremista que realizou o ataque em Hadera, sendo depois morto pela polícia - foi uma das ações do governo israelense em represália por esse ataque. Na quinta-feira, o Exército bombardeou Tulkarem, destruindo a sede da polícia, cercou com tanques os escritórios de Arafat, e no sábado dinamitou o prédio que abrigava a rádio Voz da Palestina e estúdios de TV. Os militares alegaram que "Tulkarem é um foco terrorista e de lá saíram numerosos terroristas, entre os quais o que perpetrou o atentado de Hadera".

Agencia Estado,

21 Janeiro 2002 | 18h16

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