Israel pára 2 minutos em memória às vítimas do Holocausto

Israel parou por dois minutos nesta segunda-feira, 16, para lembrar as seis milhões de vítimas do Holocausto. Às 10h (horário local) todas as atividades do país foram suspensas, os pedestres não se moveram, o transporte coletivo parou e os motoristas desceram de seus veículos. As sirenes de emergência das cidades israelenses, que só são ativadas em situações de alarme máximo - como a explosão de uma guerra -, foram acionadas para a celebração anual em respeito aos judeus mortos por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.O Dia do Holocausto começou ao anoitecer do último domingo, 15, com uma cerimônia no Museu de Yad Vashem, na qual seis sobreviventes desta tragédia acenderam seis tochas, uma para cada milhão de judeus assassinados pelos nazistas.Durante o ato de abertura, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, relembrou que o estado de Israel comemora o 59º aniversário de sua independência na próxima semana. "A renovação do povo judeu, que sopra as cinzas do Holocausto para uma nova vida e para o renascimento nacional, é o pilar dessa vitória", afirmou.A jornada de luto será concluída no começo da noite desta segunda em Jerusalém, quando na esplanada do Yad Vashem (Museu do Holocausto) um grupo de pessoas escolhido por suas origens e méritos acenderá doze tochas, uma para cada antiga tribo bíblica de Israel.ComemoraçõesAo longo do dia, diversos atos e cerimônias nos cemitérios manterão vivas as lembranças dos seis milhões de judeus que perderam a vida nos guetos e campos de concentração do regime nazista entre 1939 e 1945, numa política destinada a pôr fim ao judaísmo europeu por meio de um macabro plano conhecido como a "Solução Final".Cerca de 1,1 milhão de pessoas, entre judeus, poloneses e ciganos, morreram nas câmaras de gás nazistas. Outras milhares faleceram de fome, doença ou por trabalho forçado nos campos de concentração alemães em 1945.As forças de segurança se encontram em estado de alerta máximo e os palestinos da Faixa de Gaza e da Cisjordânia foram proibidos de entrar no Estado judeu, como é habitual em todas as festividades por temor a atentados.Durante todo o dia, as redes de televisão de Israel dedicarão sua programação para a exibir documentários e filmes sobre o tema e as rádios apresentarão entrevistas com sobreviventes.Colégios e centros culturais realizarão atos solenes, parques e centros de entretenimento permanecerão fechados e a bandeira israelense ficará hasteada a meio mastro, indicando luto.Passos em AuschwitzTambém nesta segunda, embora fora de Israel, cerca de seis mil judeus, vestidos com as cores azul e branca da bandeira de Israel, participarão da "Marcha dos Vivos". Eles percorrerão em silêncio os três quilômetros que separam o campo de concentração de Auschwitz e o centro de extermínio de Birkenau, onde morreram um milhão de pessoas.Cerca de 8 mil pessoas de todo o mundo, da Austrália ao Canadá, além dos israelenses residentes na Europa, devem participar da marcha em Auschwitz."Somos honrados em poder carregar nossas bandeiras", afirmou Zohar Cohen, de 16 anos, ao entrar em Auschwitz. "Especialmente neste lugar, onde os alemães tentaram exterminar todos os judeus"Entrevistado em frente ao "muro da morte", onde os nazistas fuzilaram centenas de pessoas, Cohen afirmou que sempre quis lutar por seu país, e afirmou estar certo de que sua visita apenas o deixaria mais rígido em sua decisão.Vivem atualmente em Israel cerca de 250 mil sobreviventes do Holocausto, 73% deles com uma idade superior aos 76 anos, dos quais a cada dia morrem aproximadamente 30.Anti-semitismoNo domingo, o Instituto para o Estudo do Anti-semitismo anunciou que, em 2006, houve 590 ataques contra alvos judaicos, número mais alto desde o ano 2000, segundo relatório do instituto, ligado à Universidade de Tel Aviv.O relatório é divulgado todos os anos na véspera do Dia do Holocausto. Lembrado a partir da noite deste domingo em Israel com uma jornada de luto em memória dos seis milhões de judeus assassinados pelos nazistas entre 1939 e 1945.Segundo o documento, os ataques físicos contra judeus duplicaram em 2006 em comparação com o ano anterior. Os perpetrados contra instituições ou centros judaicos também cresceram, embora em menor proporção.O documento indica que, na maioria dos casos, os agressores não foram identificados, mas quando o foram, verificou-se que eram majoritariamente muçulmanos ou membros da extrema direita, pelo menos em países ocidentais, onde é feito o acompanhamento.Os países com maior número de ataques deste tipo são Reino Unido, Austrália, França e Canadá.Dina Porat, a pesquisadora que fez o relatório, atribuiu o aumento nos ataques anti-semitas à campanha de negação do Holocausto empreendida pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, assim como ao conflito entre Israel e a milícia libanesa Hezbollah, em meados do ano passado.Matéria ampliada às 11h55 para acréscimo de informações

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