Israel paralisa pelo Yom Kippur, dia sagrado para o judaísmo

O 'Dia do Perdão' é mencionado nas escrituras sagradas como o 'Sábado dos sábados' e exige dos fiéis um jejum de 25 horas e prolongadas rezas nas sinagogas

Efe

18 de setembro de 2010 | 09h13

Tradição. No 'Dia do Perdão', milhões de judeus se dirigem às sinagogas calçando sapatos de lona

 

 

 

JERUSALÉM - As ruas israelenses amanheceram neste sábado, 18, desertas, com todos os comércios fechados e sem um só veículo nas vias, por causa do Yom Kippur ou "Dia do Perdão", no qual milhões de judeus fazem jejum e se dirigem às sinagogas calçando sapatos de lona.

 

A paralisação absoluta afeta às cidades judias. Somente as de maioria árabe - que representa 20% da população israelense - a atividade comercial está normalizada.

 

O Yom Kippur, mencionado nas escrituras sagradas como o "Sábado dos sábados" é o dia mais sagrado do calendário hebreu, e exige aos fiéis um jejum de 25 horas e prolongadas rezas nas sinagogas.

 

A festa começou nesta sexta ao anoitecer e continuará até surgirem três primeiras estrelas no céu.

 

 

Tradição e respeito

 

Durante as 25 horas, as emissoras de rádio mantêm silêncio, as redes de televisão nacionais não emitem sinal e o espaço aéreo e marítimo permanecem fechados, assim como as fronteiras.

 

As forças de segurança estão em estado de alerta e não é permitido o acesso ao território israelense de palestinos da Cisjordânia e Gaza, salvo em casos humanitários.

 

A rotina só é quebrada por veículos dos serviços de emergência e as centenas de milhares de crianças que aproveitam as estradas vazias para andar de bicicletas e skates.

 

A paralisação afeta também à imensa maioria dos portais de notícias que pararam de atualizar as informações desde as 17h de sexta no horário local.

 

O respeito a essa tradição, ao contrário de outras que habitualmente geram conflitos entre laicos e religiosos ao longo do ano, é um grande consenso entre a população e mais de dois terços dos judeus de Israel observam o jejum e vão às sinagogas.

 

As orações e a liturgia estão estreitamente ligadas à passagem dos judeus pela Espanha Medieval, e aos dois principais - o "Kol Nidre" que abre a jornada e a "Neila" de fechamento.

 

O "Kol Nidre", uma declaração com a qual os judeus pedem a Deus anular todas as promessas descumpridas do último ano antes de submeterem-se ao julgamento divino, foi composto nos tempos do rei visigodo Recaredo (586-601).

 

Tendo exigido aos judeus a conversão ao catolicismo, muitos fizeram contra a vontade e ao chegar o dia do Yom Kippur se reuniam clandestinamente para orar de pé e declarar que "todos os juramentos e promessas feitas (ao rei, em alusão à conversão) eram nulas e as fizeram obrigados".

 

A "Neila" coincide com a hora na qual o Grande Sacerdote fechava as portas do Templo de Jerusalém após o Yom Kippur, o único dia do ano no qual podia entrar ao Sancta Sanctorum e invocar literalmente o nome de Deus (Jeova) para expiar os pecados do povo.

 

O poema que abre essa oração foi composto pelo granadino Moses Ibn Ezra (1055-1140) e é um dos momentos mais emotivos do dia nas sinagogas.

 

O Yom Kippur é a última oportunidade que veem os fiéis para arrependerem-se de seus pecados e más ações nos últimos 12 meses, à espera da sentença que chegará nove dias depois e que lhesdeterminará se, no ano que acaba de começar - o 5771 do calendário hebreu - continuarão "no livro da vida".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.