Israel pede explicações à Argentina sobre suposta oferta ao Irã

Segundo revista argentina, país teria oferecido abandonar investigações sobre atentados dos anos 1990 em troca de melhoria nas relações entre os países.

BBC Brasil, BBC

28 de março de 2011 | 05h45

Atentados em Buenos Aires em 1992 e 1994 deixaram 114 mortos

O governo de Israel pediu explicações à Argentina sobre relatos de que o governo argentino teria proposto ao Irã parar as investigações sobre dois atentados a bomba em Buenos Aires nos anos 1990 em troca da melhoria das relações entre os dois países.

A Justiça argentina afirma que os ataques à Embaixada de Israel em Buenos Aires, que matou 29 pessoas em março de 1992, e ao centro judaico Amia, também em Buenos Aires, que deixou 85 mortos em 1994, teriam sido planejados pelo Irã e conduzidos pelo grupo xiita libanês Hezbollah, apoiado pelo governo iraniano.

Israel e Estados Unidos também acusam o Irã pelos ataques. O Irã sempre negou envolvimento nos atentados.

Um porta-voz do governo israelense disse que se as alegações forem verdadeiras, seria "uma demonstração de infinito cinismo e uma desonra aos mortos".

O governo argentino não comentou as informações.

Vazamento

O suposto acordo entre a Argentina e o Irã foi divulgado no sábado pela revista argentina Perfil.

A publicação cita o vazamento de um documento diplomático iraniano no qual a oferta argentina é relatada.

"A Argentina não está mais interessada em solucionar os dois ataques, mas em troca prefere melhorar suas relações econômicas com o Irã", afirma o documento.

Segundo a Perfil, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Hector Timerman, teria feito a oferta por meio de um contato com o presidente sírio, Bashar al-Assad, durante um encontro na Síria em janeiro.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, disse que Israel queria "esclarecimentos oficiais do Ministério das Relações Exteriores da Argentina em relação ao artigo".

A mídia israelense relatou no domingo que o governo de Israel estaria estudando cancelar uma visita ao país programada por Timerman na semana que vem se os relatos forem comprovados.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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