Israel planeja retirada da Cisjordânia

A ministra de Assuntos Exteriores de Israel, Tzipi Livni, e o titular da Defesa, Amir Peretz, planificam a retirada da Cisjordânia e a evacuação unilateral de grande quantidade de colonos dos assentamentos judaicos, informa o jornal "Maariv".O planejamento da retirada de grande parte desse território palestino ocupado está a cargo de funcionários de um comitê interministerial, mas funcionários do escritório do primeiro-ministro, Ehud Olmert, afirmam que o chefe do Governo o ignora.Após o conflito do ano passado contra a milícia do Hezbollah no Líbano, Olmert arquivou seu "plano da convergência", que também incluía a retirada unilateral da Cisjordânia sob o argumento de que não há "com quem negociar" entre os palestinos.Segundo o jornal de Tel Aviv, o comitê no qual estão representados Livni e Peretz está considerando não só a evacuação de dezenas de assentamentos judaicos, mas também a criação de um Estado palestino independente nas zonas que passariam ao controle da ANP, sob a Presidência de Mahmoud Abbas, e em Gaza.Na liderança do comitê está o ex-cônsul Yossi Amrani, enquanto pessoas próximas a Olmert afirmam que "tudo isto é desconhecido". O primeiro-ministro israelense retomou seus contatos com o presidente Abbas no dia 23 de dezembro e já foi anunciado que os dois líderes voltarão a se reunir.Além disso, durante a visita da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, há duas semanas, foi anunciada a realização de uma conferência tripartida, com data ainda a ser definida.Ao concluir sua viagem pelo Oriente Médio, Rice disse aos jornalistas de sua comitiva que Abbas e Olmert expressaram a vontade de realizar "conversas informais" sobre o futuro Estado palestino na Cisjordânia e em Gaza.O jornal "Maariv" informa em exclusiva que o plano inclui a evacuação de dezenas de milhares entre os mais de 250 mil israelenses residentes nos assentamentos da Cisjordânia, e o estabelecimento de um Estado palestino provisório cujas fronteiras definitivas seriam objeto de negociações entre Israel e a ANP.Essa fórmula corresponde em essência aos objetivos do "Mapa de Caminho", o plano para a paz do Quarteto de Madri, formado por EUA, União Européia (UE), Rússia e ONU, cujos representantes devem se encontrar no dia 2 de fevereiro, em Washington.A princípio, o presidente Abbas rejeitou a idéia de estabelecer um Estado "provisório", uma proposta que também foi recusada esta semana em declarações à imprensa local pelo vice-ministro da Defesa Efraim Sneh, do Partido Trabalhista.O Alto Representante de Política e Segurança Comum da UE, Javier Solana, que se reuniu na sexta-feira passada com Abbas em Ramala, afirmou que essa reunião do Quarteto de Madri será "o impulso mais importante para o processo que pode se iniciar".O programa original da "convergência", proposto por Olmert antes do conflito com o Hezbollah, mas que nunca foi aprovado pelo Governo, previa a evacuação de 80 mil colonos e a concentração dos demais em três grupos de assentamentos a fim de garantir uma continuidade territorial ao Estado palestino nos 5.400 quilômetros quadrados da Cisjordânia.

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