Israel planeja suspensão de fundos a Gaza

Blindados israelenses tomam posições na fronteira com Gaza, dominada por Hamas

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 13h07

Israel planeja apertar as restrições financeiras na Faixa de Gaza, sob controle do grupo islâmico Hamas. A medida deve se aplicar a todos os suprimentos, menos os básicos e humanitários, informaram nesta terça-feira, 19, autoridades israelenses e do Ocidente. Ao mesmo tempo em que liberaram fundos para o governo de emergência estabelecido pelo presidente Mahmoud Abbas na Cisjordânia, Israel e os Estados Unidos querem isolar o Hamas financeira, diplomática e militarmente na Faixa de Gaza.Para isso, duas autoridades israelenses disseram que o plano é impedir que fundos de impostos transferidos para Abbas cheguem a agências administradas pelo Hamas em Gaza. Dessa forma, funcionários não poderão ser pagos."Gaza é agora uma entidade controlada por terroristas", afirmou uma das autoridades, que trabalha com os EUA para isolar o Hamas. "Nenhuma assistência financeira pode ir para qualquer entidade ou pessoa com ligações à administração do Hamas em Gaza."Autoridades israelenses, que não quiseram se identificar, disseram que o país discutiria com os EUA a extensão do embargo a Gaza. O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, vai se encontrar com o presidente norte-americano, George W. Bush, nesta terça-feira na Casa Branca.O porta-voz do Hamas Fawzi Barhoum classificou as sanções financeiras como "política falida" e parte de um "plano sionista-americano". Segundo ele, "qualquer cerco à Faixa de Gaza provocará uma explosão nas faces de todos aqueles que fizeram parte da imposição do cerco".OfensivaTanques israelenses entraram na terça-feira na Faixa de Gaza, perto de um importante posto fronteiriço onde 150 palestinos estão retidos na tentativa de fugir do território, controlado desde a semana passada pelo grupo islâmico Hamas. Um porta-voz militar disse que os tanques entraram em Gaza para proteger o posto fronteiriço de Erez, local em que na segunda-feira homens armados teriam matado a tiros um agente leal ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, e deixado vários feridos. Equipes médicas israelenses foram postas de prontidão para levar os feridos e palestinos doentes que buscam tratamento em Israel ou na Cisjordânia, mas não conseguem sair de Gaza devido aos confrontos entre o Hamas e a facção laica Fatah.Uma escavadeira militar israelense foi vista demolindo barreiras de concreto em Erez. Várias garrafas de água foram atiradas de um tanque para os palestinos.O porta-voz militar israelense disse que o Exército não iniciou a retirada de feridos e doentes. Nesta terça-feira, deve acontecer na Casa Branca uma reunião entre o presidente dos EUA, George W. Bush, e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert. O líder israelense pretende reforçar o apoio a Abbas, um moderado que já tem o aval do Ocidente.Militantes do Hamas assumiram o controle da Faixa de Gaza na semana passada, depois de sangrentos confrontos com as forças leais a Abbas, líder da Fatah.Dezenas de palestinos foram vistos sentados ou deitados no chão de terra em Erez. Alguns estavam descalços ou com talas de gesso. As crianças se acomodavam atrás das bagagens ou nos braços de suas mães."Este é o quinto dia para nós no posto", disse Um Mohammed. "Não conseguiremos voltar para Gaza. O confronto interno nos perseguiu em Erez depois de fugirmos de Gaza. Fugimos de Gaza porque não era seguro, todo mundo está ameaçado."Na segunda-feira, um assessor de Olmert disse que ele não pretende promover uma intervenção ou ocupação militar da Faixa de Gaza, mas que "levaria em consideração todas as necessidades humanitárias" da região. Os refugiados de Erez também foram apanhados no fogo cruzado entre o Exército israelense e militantes.

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