Said Khatib/AFP
Said Khatib/AFP

Sem sinal verde dos EUA, Israel adia início de debate sobre anexação da Cisjordânia

Israelenses esperavam posicionamento do primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, para esta quarta-feira; em uma demonstração de unidade, palestinos protestaram na Faixa de Gaza e na Cisjordânia

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2020 | 09h18
Atualizado 01 de julho de 2020 | 17h45

JERUSALÉM - A anexação israelense de parte da Cisjordânia ocupada pode demorar semanas, disse um ministro do governo, à medida que a data de início para as discussões do gabinete sobre o tema foi adiada, nesta quarta-feira, 1º, devido à ausência de sinal verde dos Estados Unidos.

Os palestinos reivindicam a Cisjordânia para a construção de seu futuro Estado. Em uma demonstração de unidade palestina, cerca de 3 mil pessoas na Faixa de Gaza —incluindo membros do partido Fatah e do grupo rival Hamas— protestaram contra a anexação.

Os líderes israelenses decidiram em maio que as deliberações do gabinete e do Parlamento sobre a extensão da soberania israelense aos assentamentos judeus e ao Vale do Jordão na Cisjordânia, em coordenação com Washington, poderiam começar a partir de 1º de julho.

Os israelenses aguardavam nesta quarta-feira notícias do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu sobre seu polêmico projeto. O plano, declarado ilegal pelo Alto Comissariado da ONU, pode deslocar as "fronteiras" de Israel pela primeira vez em décadas, sob o risco de aumentar as tensões regionais.

Pelo acordo entre Netanyahu e seu ex-rival eleitoral Benny Gantz, o governo de união deveria se pronunciar a partir desta quarta-feira sobre a aplicação do plano do presidente Donald Trump.

O primeiro-ministro israelense dispõe de uma margem de alguns meses para pôr seu plano em prática, porque uma vitória em novembro na eleição presidencial americana, principal aliado de Israel, do democrata Joe Biden, contrário à anexação, poderia aniquilar o apoio estrangeiro ao projeto, criticado pela União Europeia, ONU e países árabes.

Na terça-feira, em Jerusalém, Netanyahu conversou com Avi Berkowitz, assessor especial de Trump, e David Friedman, embaixador americano em Israel, sobre a "soberania" de Israel na Cisjordânia, o termo utilizado pelo Estado hebreu para fazer referência à anexação. Netanyahu disse que estava trabalhando nos últimos dias no tema e que continuaria "nos próximos dias", sem revelar o conteúdo das discussões ou suas intenções.

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O chefe da diplomacia israelense, Gabi Ashkenazi, afirmou hoje, mais cedo, que a confirmação da anexação hoje parecia "improvável", em entrevista à rádio do Exército.

"Estou convencido de que acontecerá, mas não amanhã (quarta-feira)", já havia adiantado na terça-feira Tzachi Hanegbi, ministro sem pasta, mas considerado muito próximo de Netanyahu.

Qualquer anexação, sem negociações prévias de paz, seria uma "declaração de guerra", afirmou recentemente o Hamas, que, depois de protagonizar três guerras com Israel (2008, 2012, 2014), tenta expressar sua oposição ao projeto sem buscar um novo confronto, de acordo com vários analistas.

Nesta quarta-feira, o Hamas lançou ao menos 20 foguetes de teste de Gaza em direção ao Mar Mediterrâneo, como forma de advertência, afirmaram à agência France Presse fontes do movimento./ Reuters e AFP 

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