Israel pode lançar ataque contra arsenal químico sírio

Israel pode lançar um ataque preventivo para evitar que armas químicas da Síria cheguem até o Hezbollah, no Líbano, ou até grupos inspirados pela Al-Qaeda, advertiram neste domingo autoridades israelenses. Os militares de Israel deslocaram sistemas de defesa para uma importante cidade no norte do país e o primeiro-ministro alertou para ameaças tanto da Síria quanto do Irã.

AE, Agência Estado

27 de janeiro de 2013 | 18h49

Israel teme que o presidente sírio, Bashar al-Assad, que tenta se manter no poder após 22 meses de guerra civil, perca o controle sobre suas armas químicas. O vice-primeiro-ministro israelense, Silvan Shalom, disse que as principais autoridades de segurança realizaram uma reunião na semana passada para discutir o arsenal de armas químicas da Síria. Em entrevista à rádio do exército, Shalom disse que a transferência de armas para grupos violentos, principalmente o Hezbollah, alteraria todo o panorama na região.

"Isso significaria ultrapassar limites e demandaria uma abordagem diferente, inclusive alguma ação", disse. Questionado sobre a possibilidade de um ataque preventivo, Shalom disse que "teremos de tomar as decisões".

Israel não tem se envolvido na guerra civil na Síria, que já matou mais de 60 mil pessoas, mas teme que a violência se espalhe através da fronteira ao norte do país. A bateria antimíssil conhecida como Domo de Ferro foi deslocada para a cidade de Haifa neste domingo, mas os militares classificaram a manobra como "rotina".

Yisrael Hasson, parlamentar israelense e ex-membro da agência de inteligência Shin Bet, disse que Israel está monitorando os acontecimentos na Síria para garantir que armas químicas não caiam nas mãos erradas. "A Síria tem uma quantidade enorme de armas químicas, e se elas caírem nas mãos de grupos mais extremistas como o Hezbollah ou grupos da jihad global, isso transformará completamente o mapa de ameaças", disse Hasson. "Jihad global" é o termo usado por Israel para se referir a grupos inspirados pela Al-Qaeda.

O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, mencionou as ameaças da Síria e do Irã em uma reunião neste domingo. O Irã é o principal aliado da Síria na região. "Precisamos olhar à nossa volta, ao que está acontecendo no Irã e com seus aliados, e ao que está acontecendo em outras áreas, com as armas letais na Síria, que está cada vez mais se esfacelando", alertou Netanyahu. As informações são da Associated Press.

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