Israel pode reduzir ataques e suspender ação terrestre em Gaza

Governo israelense anuncia que não enviará representantes para a reunião deste domingo no Egito, que discutirá nova trégua, e diz aos moradores da cidade palestina de Beit Lahiya que tinham fugido dos bombardeios que eles podem voltar para casa

Lourival Sant’Anna, Enviado especial/Gaza

02 de agosto de 2014 | 14h26

Israel deu sinais neste sábado, 2, de que deve reduzir a intensidade de suas operações na Faixa de Gaza, pelo menos por terra, e avisou aos palestinos que fugiram dos bombardeios em Beit Lahiya, cidade no norte do território, que poderiam retornar às suas casas. O governo israelense também anunciou neste sábado que não enviaria representantes para a retomada das negociações de uma trégua com o Hamas, prevista para este domingo, 3, no Cairo. 

Vários acordos de cessar-fogo entre Israel e o Hamas não vingaram ou fracassaram rapidamente. O mais recente exemplo ocorreu na sexta-feira, quando dois soldados israelenses morreram e um desapareceu após uma emboscada em um túnel que o grupo radical islâmico usa para levar suprimentos ao território isolado por Israel e pelo Egito.

Não se pode confiar na palavra deles, disse o vice-ministro das Relações Exteriores de Israel, Tzachi Hanegbi, em entrevista ao Canal 2 da TV israelense, ao justificar a decisão de não enviar representantes ao Cairo. "Eles não podem parar, porque um cessar-fogo neste estágio significaria a pior derrota possível." O vice-chanceler ponderou, no entanto: "Acredito que neste ponto as operações terrestres deveriam ser concluídas. O Hamas pode ser atingido tanto quanto for necessário em resposta a disparos, que acho que vão continuar". 

Outra indicação de que a ofensiva por terra possa estar chegando ao fim partiu do porta-voz das Forças Armadas israelenses, o tenente-coronel Peter Lerner: "Nosso entendimento é o de que nossos objetivos, principalmente a destruição dos túneis, estão perto de serem completados."

Gaza teve um dia um pouco mais calmo neste sábado. O fogo de artilharia e o disparo de mísseis israelenses se mantiveram, assim como o lançamento de foguetes da Faixa de Gaza, interceptados por Israel, mas em menor intensidade.

Autoridades palestinas disseram que o número de mortos em Gaza chegou a 1.665, a maioria civis. Enquanto isso, Israel anunciou que seu sistema interceptou dois foguetes lançados contra as cidades de Tel-Aviv e Bersheva. Israel confirma que 63 soldados morreram em combate. Os ataques palestinos também mataram três civis em Israel.

Israel acusou o Hamas de capturar o tenente Hadar Goldin, de 23 anos, na emboscada em um túnel em Rafah e os EUA criticaram o grupo pela ruptura "bárbara" da trégua. A ONU foi mais reservada na sua censura, mas pediu a libertação imediata do oficial israelense. Buscando se eximir de responsabilidade, o Hamas afirmou acreditar que o ataque ocorreu antes do cessar-fogo entrar em vigor e se Goldin foi realmente capturado provavelmente morreu em seguida em razão dos intensos ataques israelenses que sucederam a ação.

Apesar de Israel anunciar que não enviará ninguém ao Cairo, uma delegação palestina começou a chegar neste sábado ao Egito para a reunião prevista para este domingo. Uma das reivindicações do Hamas é de que o Egito facilite a passagem pela fronteira da Faixa de Gaza. Entre as autoridades palestinas esperadas no Egito estavam o "número 2" do Hamas, Musa Abu Marzuq, e o dirigente do Fatah e chefe da delegação negociadora, Ahmed al-Azam. 

Abu Marzuq afirmou que neste domingo deverá ser definida uma agenda de negociações que ficará sob responsabilidade do serviço secreto egípcio. Marzuq reiterou que o grupo continuará pedindo o fim do bloqueio a Gaza e a libertação de presos palestinos.

Israel afirmou que os refugiados que deixaram Beit Lahiya, uma cidade no norte de Gaza e com uma população de 70 mil pessoas, poderiam voltar para as suas casas. "Os moradores devem ter cuidado com artefatos explosivos que o Hamas espalhou pela região", informou o Exército israelense.

"Ninguém nos disse para voltar", declarou Talab Manna, um homem de 30 anos, que está acampado com os sete filhos ao lado de uma escola da ONU. "Não podemos arriscar voltar e sermos bombardeados." 

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