Israel pode romper contato com presidente palestino

Israel considera a hipótese de suspender seus contatos com o moderado presidente palestino, Mahmoud Abbas, caso seu novo governo de unidade nacional em coalizão com o Hamas não atenda às exigências internacionais, disseram autoridades na segunda-feira. A situação pode prejudicar a retomada do processo de paz, que seria o principal objetivo de uma reunião marcada para a próxima semana entre Abbas, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice. "Uma opção sob séria discussão é romper os contatos com Abu Mazen [pseudônimo de Abbas]", disse uma fonte israelense envolvida nas deliberações. Uma fonte israelense de Defesa disse ainda que também estão ameaçados os contatos com Mohammed Dahlan, assessor de Abbas que esteve muito envolvido na disputa entre sua facção Fatah e o grupo islâmico Hamas e no posterior acordo entre ambas as correntes palestinas. Mas as fontes israelenses garantem que eventuais suspensões serão apenas temporárias. A chanceler Tzipi Livni e outros ministros e assessores de Olmert se reúnem na segunda-feira para discutir as opções. Miri Eisin, porta-voz do primeiro-ministro, não quis comentar sobre "hipóteses". Olmert disse no domingo que é cedo para avaliar o novo governo palestino, mas importantes autoridades de Israel dizem que o acordo entre Fatah e Hamas não atende às exigências do chamado Quarteto de mediadores do Oriente Médio (EUA, União Européia, ONU e Rússia) para o fim das sanções impostas à Autoridade Palestina depois da vitória eleitoral do Hamas, há um ano. Exigência O Ocidente exige que o Hamas reconheça a existência de Israel, abandone a violência e cumpra os acordos de paz prévios. "Esperamos que o governo palestino aceite todas as três condições da comunidade internacional", disse Eisin. O tema inicial da reunião trilateral do dia 19 seria explorar formas de retomar o processo de paz, mas autoridades agora dizem que o foco será nas preocupações de norte-americanos e israelenses com o governo palestino de unidade nacional. O acordo firmado em Meca entre as facções não faz menção ao reconhecimento de Israel. Uma carta em que Abbas reconduziu Ismail Haniyeh, do Hamas, ao cargo de premiê fala em "obedecer aos interesses do povo palestino" e "respeitar" acordos prévios e o direito internacional. Um assessor de Haniyeh disse no sábado que o novo governo, a ser apresentado nos próximos dias, não vai reconhecer o Estado judeu. Haniyeh deve voltar a Gaza e falar aos palestinos na segunda-feira. Autoridades norte-americanas disseram que os EUA também estão avaliando o que fazer. No passado, Washington ameaçou punir membros da Fatah e de outros grupos que aderissem a um governo do Hamas. Mas autoridades disseram que a relação dos EUA com Abbas não deve ser abalada.

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