Bloomberg photo by Kobi Wolf
Bloomberg photo by Kobi Wolf

Israel pode ter 3ª eleição em um ano após fracasso de Gantz para formar governo

Após semanas de negociações, o ex-chefe do Exército, agora líder do partido centrista Azul e Branco, tinha até a meia-noite desta quarta-feira (hora local) para apresentar ao presidente um projeto de governo de coalizão

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2019 | 18h32

JERUSALÉM - O adversário do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, o centrista Benny Gantz, anunciou nesta quarta-feira, 20, sua incapacidade para formar um governo, aproximando Israel de uma nova eleição - a terceira em um ano.

"Ergui cada pedra para tentar formar um governo de união nacional", declarou Gantz, em uma entrevista coletiva na qual disse ter anunciado ao presidente Reuven Rivlin ser "incapaz de formar governo".  

Após semanas de negociações, o ex-chefe do Exército, agora líder do partido centrista Kahol Lavan (Azul e Branco), tinha até a meia-noite desta quarta-feira (19h de Brasília) para apresentar ao presidente um projeto de governo de coalizão. Seu anúncio foi feito horas antes de expirar esse prazo. 

As legislativas de setembro deram empate a Netanyahu e Gantz, mas nenhum dos dois conseguiu somar com seus respectivos aliados uma maioria parlamentar.

O presidente Rivlin havia encomendado inicialmente a Netanyahu - no poder desde 2009 - a tarefa de formar governo. O premiê, que lidera um bloco de direita e religioso que soma 54 deputados, não conseguiu reunir suficientes aliados para chegar aos 61 assentos, o patamar da maioria no Parlamento, com 120 deputados.

O presidente passou então a tarefa a Gantz, em uma missão que muitos consideravam impossível: evitar as terceiras eleições em menos de um ano. O país já foi às urnas em abril e setembro.

Um 'muro de perdedores' 

Para conseguir ser primeiro-ministro, Gantz tinha opções muito difíceis.

Uma delas era convencer Avigdor Lieberman, chefe da formação não alinhada Israel Beitenu, a apoiá-lo, depois de se associar a uma coalizão de centro-esquerda que contava com o respaldo de partidos árabes. Lieberman, hostil aos partidos árabes, declarou que não apoiaria nem Gantz nem Netanyahu.

O ex-chefe do Exército também não conseguiu convencer Netanyahu a compartilhar o poder em um sistema de rotação. Gantz garante que Netanyahu "privilegiou seus interesses pessoais". "E deve lembrar que ainda estamos em uma democracia e a maioria do povo votou a favor de uma política diferente da sua", acrescentou.

"O povo não pode ser refém de uma minoria extremista", destacou Gantz, que pretendia formar um governo de união "liberal".

"Me deparei com um muro de perdedores (das eleições) que fizeram todo o possível para impedir que os cidadãos israelenses se beneficiem de um governo sob a minha direção", declarou Gantz.

Uma terceira opção consistia em reunir Netanyahu, Gantz e Lieberman em uma coalizão. Lieberman descartou essa possibilidade, negando-se a apoiar qualquer um dos dois.

Knesset pode tentar formar governo

Diante da estagnação, o presidente Rivlin pode agora dar três semanas aos deputados da Knesset, o Parlamento israelense, para que proponham nomes de figuras suscetíveis de conseguir o que os dois grandes líderes partidários não conseguiram.

Se, ao fim desse possível novo prazo, nenhuma personalidade política obtiver os apoios suficientes para se impor na liderança do governo, Israel voltará as urnas pela terceira vez em menos de um ano, uma situação política sem precedentes no país.

Para Entender

Os escândalos que ameaçam Netanyahu

Casos vão desde recebimento de presentes caros até tentativas de subornar os responsáveis por certos meios de comunicação para conseguir uma cobertura favorável

Nesse contexto, surge outra grande incógnita: trata-se da decisão da justiça, esperada em dezembro, sobre uma eventual condenação de Netanyahu por "corrupção", o que poderia mudar o cenário político./AFP e EFE 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.