Israel poupa grupos radicais enquanto ataca Arafat

Ariel Sharon está obcecado pela idéia de liquidar de vez seu arquiinimigo Yasser Arafat, antes mesmo de atacar os principais responsáveis pela maior parte dos atentados suicidas, o Hamas ou a Jihad Islâmica.Isso explica a concentração de seus ataques contra toda aestrutura da Autoridade Palestina, mesmo sabendo que o Hamasseria o maior beneficiado pelo eventual desaparecimento deArafat do cenário político no Oriente Médio.Até agora, a ala política desse movimento islâmicopraticamente não sofreu golpes diretos do Exército israelense,dando a impressão de que está sendo poupada.Leila Chaide, delegada da Palestina na França, foi quemadvertiu sobre a estranha estratégia israelense, lembrando que olíder do Hamas, o xeque Ahmed Yassin, até o momento não foiimportunado, recolhido em sua casa, onde tem reivindicado alguns dos principais atentados.Quando Arafat determinou sua prisão domiciliar, em dezembro de2001, essa ordem degenerou num confronto direto entre palestinos antes de o próprio Hamas ter aceitado uma trégua determinada por Arafat, que só durou três semanas.A representante da Palestina na França considera que até agoraesse grupo não tem sido importunado pelos israelenses, como sepudesse transformar-se, na perspectiva do sacrifício da atualAutoridade Palestina, em interlocutor válido para uma futuranegociação com Israel.O Hamas, definido como um movimento pragmático, encontra-sehoje numa posição bem mais confortável do que a AutoridadePalestina. Alguns membros do próprio governo israelense, entreeles, o ministro da Economia, Silvan Shalom, não escondem hámuito tempo que seria benéfico para Israel se a liderançapalestina passar das mãos de Arafat para a dos dirigentes doHamas.Isso porque Yasser Arafat continua sendo um símbolo para aopinião internacional. E Israel negociaria um acordo de paz emcondições muito mais vantajosas do que com Arafat e sua equipede negociadores, na maioria das vezes funcionários altamentequalificados e experientes, avaliam analistas.

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