Israel prende líder de assentamento na Cisjordânia

A polícia de Israel prendeu hoje o prefeito de um assentamento judaico na Cisjordânia. A detenção ocorreu após as forças de segurança entrarem na comunidade a fim de garantir que seja cumprida a paralisação nas construções.

AE-AP, Agencia Estado

02 de dezembro de 2009 | 13h48

A manifestação dos assentados foi o primeiro incidente sério desde que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou na semana passada um congelamento de dez meses na construção de novas casas nos assentamentos na Cisjordânia. Os líderes das construções afirmaram que desafiarão a medida, que Netanyahu diz ser um gesto para ganhar confiança dos palestinos a fim de retomar as conversas de paz.

Confrontar os assentados pode ajudar Netanyahu a persuadir os céticos palestinos e a administração do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de que o israelense está firme em sua decisão de retomar o diálogo. Os palestinos se recusam a negociar, afirmando que o anúncio de Netanyahu foi uma enganação, pois ele não paralisou construções em Jerusalém Oriental. Os palestinos também querem essa parte da cidade como futura capital de seu Estado independente.

O prefeito Avi Naim, do assentamento Beit Arieh, no centro da Cisjordânia, foi detido sob a acusação de perturbar um policial durante seu dever, segundo um porta-voz dos assentados. Ele disse que Naim e outros assentados bloquearam a entrada do assentamento, quando as tropas chegaram para entregar ordens a fim de que sejam paralisadas as construções.

Tensão

O congelamento nas obras deixa tanto Netanyahu quanto os assentados em posições delicadas. O movimento de assentados, pequeno porém muito influente em Israel, luta para retomar força desde que a saída israelense da Faixa de Gaza, em 2005, retirou 8 mil israelenses que ali viviam. Ao mesmo tempo, os assentados temem ser vistos como extremistas. Já Netanyahu, tradicional partidário dos assentados, sofre pressão internacional para fazer concessões aos palestinos.

Buscando acalmar os assentados, Netanyahu afirmou ontem que o congelamento de dez meses não será renovado. "Nós retomaremos as construções no fim do congelamento", disse ele em discurso, referindo-se aos assentados como "nossos irmãos e irmãs" e "uma parte integral de nosso povo".

Os palestinos mantêm sua postura de não negociar antes de Israel interromper as construções nos assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Vivem aproximadamente 300 mil israelenses na Cisjordânia e mais 180 mil em Jerusalém Oriental. Eles também condenam o anúncio de Netanyahu pelo fato de não interromper as 3 mil construções já aprovadas quando o texto foi divulgado.

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