Israel prende mentor de ataques terroristas palestinos

O Exército israelense capturou hoje Marwan Barghouti, um dos principais assessores do presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat. A detenção de Barghouti, chefe na Cisjordânia da Fatah, o movimento de Arafat, depois de um grande cerco, constitiu para as autoridades israelenses um importante êxito de sua ofensiva militar iniciada em 29 de março.O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, felicitou o Exército pela prisão de Barghouti, de 42 anos, membro do Conselho Legislativo palestino e um dos líderes da intifada (levante palestino contra a ocupação israelense).A AP advertiu Israel e não atentar contra a vida de Barghouti, o mais importante dirigente palestino detido desde o início da intifada, em setembro de 2000.Israel responsabiliza Barghouti por ataques contra israelenses especialmente contra colonos, e sua captura era um dos objetivos dos serviços de segurança israelenses há vários meses. Para jovens palestinos, Barghouti é um herói. Segundo os meios de comunicação israelenses, Barghouti foi detido por uma unidade de elite do Exército na casa de Ziad Abu Ain, um membro da Fatah, em Ramallah. Também foi preso Ahmed Barghouti, primo e assessor.Barghouti, às vezes mencionado como possível sucessor de Arafat, é apontado por alguns como líder da Brigada dos Mártires da Al-Aqsa, a milícia ligada à Fatah responsabilizada por dezenas de ataques a tiros contra israelenses e recentemente por atentados suicidas.Segundo a Rádio de Israel, informações do serviço de inteligência revelaram a localização de Barghouti, que se recusou a deixar o prédio e entregar-se. O Exército, então, enviou uma unidade de elite e Barghouti decidiu render-se após breves disparos.Em Belém, tropas israelenses também trocaram tiros hoje com os palestinos armados que estão refugiados na Basílica da Natividade. Um palestino e dois soldados israelenses foram feridos durante o tiroteio. Dois policiais palestinos, um seriamente ferido e outro com uma aparente crise de nervos, entregaram-se às tropas israelenses que estão cercando a Basílica. Os dois são os primeiros dos mais de 200 palestinos armados a se renderem desde o início do cerco, no dia 1º. Contudo, dois cadáveres continuam sem poder ser retirados da igreja."A situação está piorando de um dia para o outro, há feridos e as pessoas temem um ataque", disse o advogado Tony Salman, que se encontra no convento franciscano com cerca de 30 religiosos. Os feridos gritam de dor, a comida está acabando e as autoridades israelenses intensificaram a pressão psicológica diante da igreja, instalando um auto-falante que emitiu ruídos horríveis - rugidos, uivos, gritos e sirenes - entrecortados com pedidos de rendição.Sharon disse hoje que espera retirar suas forças dos povoados de Nablus e Jenin, na Cisjordânia, em uma semana, mas não especificou nenhuma data para Belém e Ramallah. Tanto Nablus quanto Jenin foram cenários de duros combates entre palestinos e as forças israelenses.

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