Israel prepara invasão terrestre em Gaza; ataques já mataram quase 300

Ação deve ser ampliada nos próximos dias, mas objetivo não é reocupar território, dizem autoridades israelenses

AP e Reuters, Cidade de Gaza, O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2008 | 00h00

No segundo dia da maior ofensiva aérea contra a Faixa de Gaza em 60 anos - que já deixou 298 mortos e cerca de 700 feridos, segundo a Reuters -, Israel começou a preparar-se para uma possível incursão terrestre de larga escala. Cerca de 6.500 reservistas foram convocados e tropas se posicionaram na fronteira de Israel ao norte do território palestino. O ministro da Defesa Ehud Barak afirmou que a ação em Gaza - que ganhou o nome de "Operação Chumbo Grosso" - deve continuar e poderá ser "aprofundada e ampliada, caso necessário". A chanceler israelense, Tzipi Livni, entretanto, afastou a possibilidade de Israel reocupar o território, de onde o país se retirou em 2006, afirmando que "não é este o objetivo" da ofensiva. Indagada se Tel-Aviv pretende retirar o Hamas à força do poder, Tzipi disse que "não dessa vez" - o Hamas governa o território há um ano e meio. A chanceler espera vencer o linha dura Binyamin Netanyahu para se tornar a próxima primeira-ministra israelense nas eleições de 10 de fevereiro. O governo israelense afirma agir em resposta aos quase 150 foguetes lançados pelo Hamas contra o sul de seu território desde o fim do cessar-fogo de seis meses com o grupo, há dez dias. Os ataques palestinos causaram pânico na população, mas deixaram apenas uma vítima. Mesmo sob a violenta ofensiva israelense, mais de 20 foguetes foram lançados ontem.A Força Aérea do Estado judeu bombardeou com caças e helicópteros mais de 230 alvos desde o início da ação, no sábado. Cerca de 40 túneis clandestinos que ligam Gaza - virtualmente "ilhada" por Israel desde 2007 - ao Egito foram destruídos em quatro minutos pela aviação israelense. Pelas passagens, entrariam no território palestino suprimentos básicos, mas também armas e explosivos, declarou Israel. Ainda ontem, foram bombardeados o maior prédio das forças de segurança do Hamas na Cidade de Gaza, conhecido como Seraya; o escritório da TV Al-Aqsa, pertencente ao grupo islâmico; e uma mesquita supostamente usada como centro de treinamento de militantes. O escritório do líder do Hamas, Ismail Haniyeh, também foi destruído, além da casa de um professor de química e laboratórios da Universidade Islâmica de Gaza, depósitos químicos e delegacias de polícia em Rafah e Khan Younis. O ataque a caminhões que transportavam combustível contrabandeado ainda iniciou um forte incêndio, contaram testemunhas.Israel também posicionou peças de artilharia perto de Gaza e transferiu parte de seus tanques da região das Colinas de Golan, no norte do país, para o sul - em mais indicações de que a onda de ataques pode aumentar.Um oficial da inteligência israelense declarou que a ação contra o Hamas já teria reduzido em 50% a capacidade do grupo. Mas, segundo o jornal Jerusalem Post, o Hamas seria ainda capaz de recompor suas forças nas próximas 24 horas e ampliar seu raio de ação.Trinta caminhões com ajuda humanitária entrariam ontem em Gaza, garantiu o ministro da Defesa, afirmando que a luta não é "contra a população, mas contra o Hamas". Israel disse também que poderá tratar feridos palestinos em seu território.DISPERSÃOOntem, palestinos derrubaram com tratores e explosivos parte da cerca que separa Gaza do Egito. Dezenas conseguiram entrar no país vizinho após abrirem cinco brechas através da fronteira. Em meio à confusão, forças do Hamas atiraram contra policiais egípcios que tentavam controlar a multidão, matando um oficial. A multidão, porém, acabou controlada e retornou a Gaza.Os distúrbios se espalharam para a Cisjordânia, controlada pelo grupo palestino rival do Hamas, o Fatah. Forças israelenses mataram dois manifestantes perto de Ramallah. Em Hebron, a polícia deu tiros para dispersar outro protesto e feriu três pessoas.O líder do Fatah e da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, condenou a ação israelense. Abbas, porém, culpou também a recusa do Hamas em restabelecer a trégua com Israel pela crise. "Havíamos pedido a eles (o Hamas) que chegassem a um cessar-fogo para esse tipo de catástrofe não acontecer", declarou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.