Israel prepara saída de vila libanesa

Netanyahu discutirá retirada de tropas de Ghajar como gesto de boa vontade para fortalecer moderados no Líbano

Reuters, Efe e AFP, JERUSALÉM, O Estadao de S.Paulo

04 de maio de 2009 | 00h00

Uma fonte do governo israelense, que não quis se identificar, disse ontem que o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu vai propor a retirada das tropas de Israel de Ghajar, uma aldeia no sul do Líbano. O tema será discutido com seu gabinete em uma reunião ainda esta semana. De acordo com o jornal israelense Haaretz, os EUA estão pressionando o governo de Netanyahu para que se retire de Ghajar, localizada em um território capturado por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.A Casa Branca, segundo o Haaretz, acredita que a retirada das tropas israelenses de Ghajar seria um gesto de boa vontade para o primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, e ajudaria os políticos moderados libaneses nas eleições gerais de 7 de junho. Netanyahu e o presidente dos EUA, Barack Obama, discutirão o assunto durante a reunião marcada para o dia 18, em Washington. No entanto, Mark Regev, porta-voz de Netanyahu, negou-se a comentar o tema.AJUDAA retirada de Ghajar também poderia impulsionar as negociações sobre as Fazendas de Chebaa, um território controlado por Israel, reivindicado pelo Líbano, mas que a ONU reconhece como parte da Síria. Em abril, o presidente sírio, Bashar al-Assad, afirmou que estaria disposto a delimitar as fronteiras com o Líbano, com exceção das Fazendas de Shebaa. Para Assad, a questão das fronteiras entre Síria e Líbano diz respeito só aos dois países, por isso rejeitou qualquer mediação internacional. "Ninguém tem nada a ver com essa questão", disse o presidente sírio na ocasião.Em busca de apoio, o chefe da diplomacia israelense, o polêmico nacionalista Avigdor Lieberman, começa hoje sua primeira viagem internacional. Lieberman vai à Europa com o objetivo de tranquilizar os líderes da União Europeia (UE) a respeito das intenções do governo de Israel, que é contrário à criação de um Estado palestino.Lieberman, que assumiu o cargo no início do mês passado, visitará Roma, Paris, Praga e Berlim até quinta-feira. "O chanceler pedirá a seus interlocutores europeus que concedam um prazo para que Israel revele as principais linhas de seu plano diplomático", explicou à agência de notícias France Presse uma fonte do ministério israelense das Relações Exteriores.Durante a campanha, tanto Netanyahu quanto Lieberman, que também foi candidato, se disseram contrários à solução de dois Estados, o que inviabilizaria as negociações de paz com os palestinos.O presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, disse ontem na Jordânia que em sua próxima viagem a Washington dirá a Obama que as negociações com Israel só poderão avançar se o governo israelense reconhecer a solução de dois Estados."Nossas condições fazem parte da solução de dois Estados, que implica também no fim da construção de assentamentos e da política de demolições de casas", disse Abbas. De acordo com ele, a posição palestina é "compartilhada" pelo governo americano. A reunião entre Abbas e Obama está marcada para dia 28. HAMASKhaled Meshaal foi reeleito ontem, pela terceira vez, chefe do escritório político do Hamas no exílio, cargo que representa a máxima autoridade do movimento islâmico palestino. Meshaal, de 53 anos, vive exilado em Damasco, na Síria, e ocupa o cargo desde 1996. A reeleição já era esperada. A votação foi secreta e realizada nos últimos dias em várias regiões do Oriente Médio.

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