Israel procura manifestantes na fronteira com a Síria

Policiais estão nas Colinas de Golã em busca de pessoas que tenham cruzado a fronteira

Agência Estado e Efe

16 de maio de 2011 | 10h36

Soldados israelenses fazem patrulha na fronteira com a Síria. Foto: Ariel Schalit/AP

 

MAJDAL SHAMS  - Centenas de policiais israelenses tomaram posições nas Colinas de Golã nesta segunda-feira, 16, buscando suspeitos que tenham cruzado a fronteira para a Síria, após um dos mais sangrentos episódios de violência em anos nas fronteiras de Israel. Pelo menos 13 pessoas morreram e cerca de 300 outras ficaram feridas ontem, quando tropas israelenses dispararam contra milhares de pessoas nas fronteiras do país com a Síria e o Líbano, bem como na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

Os confrontos ocorreram quando palestinos em seus territórios e nos países vizinhos realizaram grandes protestos, para marcar o aniversário da fundação de Israel, em 1948, no evento conhecido em árabe como "nakba" (catástrofe). O Exército israelense e a polícia permanecem em alerta máximo, com centenas deles trabalhando durante a noite nas Colinas de Golã, na cidade de Majdal Shams, buscando qualquer manifestante.

"Durante a noite, a polícia esteve vasculhando de casa em casa em busca de suspeitos que ainda possam estar em Majdal Shams", afirmou o porta-voz policial Micky Rosenfeld à France Presse. Segundo ele, foi preso um sírio de 34 anos nessa cidade. O general Yoav Mordechai disse à rádio do Exército que os militares permaneceram "em estado de grande alerta no norte, sul e centro" do país. Autoridades também ampliaram por 24 horas a proibição para a saída dos territórios palestinos ocupados, que deveria acabar à meia-noite de ontem.

O incidente na fronteira das Colinas de Golã ocupadas por Israel foi o pior nessa área desde um acordo de cessar-fogo em 1974. Os confrontos na fronteira libanesa foram os piores desde o fim da guerra de 2006 entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah. A maioria das mortes ocorreu no Líbano, onde dez pessoas morreram e 110 se feriram, quando tropas israelenses abriram fogo contra pessoas que tentavam escalar a cerca fronteiriça.

Os palestinos no Líbano declararam um dia de luto, com lojas em greve geral antes do funeral das dez vítimas, que deve ocorrer ainda hoje. O líder do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, elogiou a "coragem" dos manifestantes, dizendo que eles "deram novo significado à nakba".

 

Reclamações na ONU

O Líbano apresentou uma reclamação na Organização das Nações Unidas (ONU), pedindo que Israel "pare com sua agressão e provocação". Já a Síria advertiu o país, dizendo que os israelenses terão total responsabilidade por suas ações "criminosas". O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, demonstrou preocupação com a violência e pediu a todos os lados "responsabilidade" para evitar mais problemas.

Filippo Grandi, chefe da agência da ONU para refugiados palestinos, condenou a violência, dizendo que ela prova a necessidade de uma solução para o sofrimento dos refugiados palestinos. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que seu país estava "determinado" a defender suas fronteiras contra pessoas que desejavam negar o direito de existência de Israel.

Por sua vez, Israel apresentará uma denúncia à ONU contra o Líbano e a Síria pelas manifestações durante aniversário da Nakba.

 

A delegação israelense na ONU denunciará a violação do direito internacional e das resoluções do Conselho de Segurança pelo fato de os dois Governos árabes terem permitido que os manifestantes se aproximassem da fronteira, informa nesta segunda-feira a imprensa local.

Mais de 760 mil palestinos - estimados hoje em 4,8 milhões - foram forçados ao exílio ou expulsos de suas casas, no conflito que se seguiu à fundação do Estado israelense, em 1948. As informações são da Dow Jones.

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